quarta-feira, 10 de outubro de 2012


De: Mariana       Para: Futuras Mães

E novamente enchi o ventre de esperança... Novamente cheia, completa. Novamente aquela sensação constante e permanente de estar inteira ali.

Infelizmente poucas vezes consigo segurar este estado fora da gestação.  E por isso sei dizer o momento exato que deixou de ser. Naquele lugar dentro de nós onde tudo é calmo e cristalino, onde habita “aquela que sabe”, a grand mère, a anciã... Naquele lugar, eu sabia que não ia ser...

Claro que neguei no nível racional e até mesmo emocional. Lutei contra este “saber” até ver ali na tela a esperança sem bater, parada, entregue aos mistérios do ir e vir, do sim e do não, do sol e da lua, dos opostos que são na verdade um só: morte e vida, vida e morte.

E o que não poderia ser, não foi e se foi...

Desceu, ou melhor, subiu, flutuou, dissipou-se em mim, nele, em nós, no universo, no emaranhado de forças que é a vida. Saiu desta cena para mais tarde dar espaço a uma outra esperança.

O mais espantoso é que foi fácil.

Isso mesmo: foi fácil. Não por que não desejasse (Ah! Deus e eu agora sabemos o quanto eu desejava...). Foi fácil porque assim que entreguei ao Universo esta promessa e deixei que a natureza seguisse seu curso inevitável e incontrolável, desempenhasse seu papel, sua essência, sua “natureza”; encerrei este capítulo.  

Mas como consegui encerrar?

Porque só pensava na minha pequena de olhos verdes, minha Maria... Minha menininha com sorriso de acender a luz do meu coração...  Aquela luz plantada, lá atrás, pelo meu Raio de Sol João. Só pensava em como ela ia receber a notícia, em como contaríamos para ela que a “sementinha-bebê da barriga da mamãe” não estava mais lá. Em como ela deveria estar sentindo a minha falta nestes dias que não pude participar como sempre de sua vida... Eu só pensava numa coisa: quando ela ficasse bem  tudo ficaria bem. E para isso eu tinha que ficar bem.

Daí me dei conta que foi fácil porque eu tenho 02 filhos... Porque meu pequeno Raio de Sol João entrou na minha vida e, embora tenha permanecido aqui ao meu lado por apenas 3 anos e meio, ele plantou a mais bela semente de luz, paz, amor. Uma semente de fé que sob meus cuidados, sob uma parede familiar de afeto e proteção e ainda regada por Maria, a mais linda jardineira que Raio de Sol João me enviou, se mantém ali, sempre presente. É verdade que às vezes fica fraca, é verdade sim, mas nunca apagada...

E assim me dei conta de mais uma coisa. O quanto seria difícil se esta fosse a minha primeira promessa de vida. O primeiro desejo de mãe abortado, a primeira esperança que se vai...

Então, neste momento me comovo e me solidarizo com estas futuras mamães que acabaram de viver esta experiência. Neste momento todas as minhas orações e preces vão para elas. Digo futuras mamães porque tenho certeza que elas serão. Tenho certeza que de uma forma ou de outras elas serão Mães. Algumas, talvez, não exatamente pelo caminho mais óbvio, mas como desejam realmente sei que acontecerá. De uma forma ou de outra serão mães. Porque a natureza segue seu curso, é verdade, mas o Universo sempre trás novas esperanças para aquelas que sabem ouvir a voz da grand mére, a voz do coração...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Para vocês, Mari e Marcus

Amanhã, 24/05/2011, João completaria 08 anos de idade. Agora já fazem 4 anos e meio que ele partiu e fico imaginando como seria se ele ainda estivesse aqui... digo fisicamente, pois imaterialmente ele sempre estará. Tenho saudades... Meu Deus, como tenho saudades. É impressionante como ainda somos apegados a datas. Estes dias, quando vai se aproximando o dia que ele faria aniversário, meu coração fica um tanto apertado, um nó na garganta... Enfim, a saudade aumenta ainda mais. Quando estou assim, invariavelmente remexo minha caixinha de recordações. Acabei encontrando uma mensagem que Giovana escreveu na véspera da nossa viagem à São Paulo, quando João foi fazer ainda a primeia cirurgia, em outubro/2005...

De: Giovana     Para: Mariana e Marcus

Imagino que a poximidade da operação de nosso menino esteja deixando vocês aflitos e ansiosos. Eu mesmo tenho estado estranha, um tanto nervosa, sem saber definir bem o motivo. Mas eu tenho certeza de que vocês nõa vão fraquejar. E esta certeza vem da coragem com que você e Marcus enfrentam tudo que se refere a Joãozinho.

Eu já lhe disse como tenho orgulho de vocês por isso? Como vocês são especias e sortudos por terem um ao outro? A vida só impossível de se enfrentar quando se está sozinho!

O que nós queremos, tenho ceteza, é que ele não sofra. Que consiga passar por tudo com  a menor dor possível e volte apra gente cheio de alegria e esperança. E vai ser assim, Mari, porque Deus não dá a ninguém uma dor maior do que possa aguentar.

EU VEJO NOSSO JOÃOZINHO COMO UM GRANDE JOÃO, UM SER QUE VEIO PARA NOS ENSINAR QUE O AMOR E A UNIÃO SÃO MUITO MAIS FORTES DO QUE O DESESPERO E NOS MOSTRAR QUANTA LUZ PODE EXISTIR DENTRO DE UM CORPO FRÁGIL.

Não duvidem que eu estarei aqui com o pensamento e o coração o tempo todo ao lado de vocês três. Nada neste momento pode ser mais importante e toda minha energia vai para ajudar vocês a passraem por isto e voltarem logo para casa. Onde eu, Bia, Rogério e Leo estaremos esperando vocês, de braços abertos e muita saudade.

Com amor,
Giovana

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dele para ela ou simplesmente amor...

Estes dias, remexendo sua caixinha de lembranças, encontrou um bilhete que ele lhe escreveu no 37º aniversário de namoro. Ela se emocionou e chorou e Bia que ia entrando no quarto disse:
- Vó, cê tá chorando?
- É por causa de um bilhetinho de seu avô. Tão lindo...
E Bia, sorrindo, diz:
- Ai meu Desus! Tão bestinha esta minha avó. Deixa eu ver.
E ao terminar de ler também está comovida...



De: Lu  Para: Rai

Ray,
Há 37 anos, 11/05/63... uma data qualquer!!! Não!!! Naquela data, um começo. Hoje uma certeza. Naquela data uma mulher bonita, umas pernas lindas, um rosto encantador... Um roçar de faces. Hoje um amor sereno, tranquilo... completo. Naquela data um começo, nós dois. Hoje, linda e sempre nós dois... 3 filhas... 02 filhos e 02 netos... Uma família.
As vezes erramos, nos desentendemos, mas o nosso amor vencerá sempre.
Desculpe quando não lhe mereço... mas você é meu TUDO.
Luis em 11/05/2000


quarta-feira, 30 de março de 2011

Para Maria ler quando estiver maior.

Ontem a escola de Maria me pediu para escrever sobre "como está minha filha hoje". Faz parte do que eles chamam de Portfólio Individual. Não creio que quisessem um texto do tipo que escrevi... Acho que não. Mas, enfim, eu e papel em branco, com motivação filhos? Hum... Bem, não tinha jeito de ser diferente...

De: Mariana      Para: Maria João


Maria João está muito menos tímida. Na verdade, diria que agora ela é muito mais desconfiada do que tímida. Não se abre logo no primeiro contato, mas já não chora mais quando estranhos falam com ela. Ainda se esconde um pouco, mas está bem mais receptiva.

Maria agora é uma tagarela. Fala tanto que às vezes dá um nó na cabeça da gente! Continua muito alegre e divertida, mas está também mais teimosa. Só quer as coisas do jeito dela e 
aos 02 anos e três meses, pasmem, já quer escolher as roupas que vai usar.

Dificilmente aceita as coisas por imposição. O melhor caminho é tentar convencê-la a colaborar. Do contrário é choro e berro na certa. O que sempre acontece quando a gente não está com paciência de fazê-la entender que precisa ajudar... No momento, o que mais funciona é dizer que “Princesas” também fazem isso ou aquilo ou que Princesas não fazem isso ou aquilo. Quase sempre funciona...

Aliás, esta é a preferência dela agora. Tem que ser tudo de princesa, cor de rosa e brilhante! Já até escolheu o tema do seu próximo aniversário. Adivinha? Princesa!
Maria João ama aniversário. Ensaia os Parabéns o dia inteiro e, claro, na hora não canta nada, he he he. Chega um pouco escabreada, mas rapidinho se solta, corre, pula, brinca e come muito brigadeiro!

Ela adora se exibir sempre que percebe que terá atenção! Às vezes a exibição é tanta que temos que falar para ela ter cuidado, pois são tantas correrias, gritos e pulos que acaba até se machucando. É vaidosa. Meus Deus! Como é vaidosa. Gosta de bolsa, óculos escuros, vestidos e agora que até usar maquiagem! O que, claro, não permitimos! Está tão encantada com seus cabelos que agora deixa a gente lavar e pentear sem nenhum problema. E adora passar as mãos no cabelo dizendo: - Tô linda!

Continua amando suas bonecas e este ainda é o seu brinquedo predileto. Só que agora a brincadeira é mais elaborada: troca a roupa, bota para dormir cantando boi da cara preta, dá comidinha, dá banho, remédio, penteia o cabelo, briga, manda ficar quieta, pergunta o que a boneca quer comer, enfim, tudo que fazemos com ela.

Maria faz observações que, para mim, são absolutamente inesperadas. Outro dia, por exemplo, ao ver o pai com uma mochila nova ela disse em tom sarcástico: - Sacola nooooova!

Maria João é muito carinhosa. Adora abraços bem apertados e fazer carinho no rosto de quem ela gosta. Com a mamãe e com o papai este gesto é muitas vezes acompanhado de uma voizinha bem suave dizendo minha mamãezinha, meu papaizão...

Gosta de outras crianças, principalmente das mais velhas, fica encantada e quer imitá-las. Continua apaixonada pelas avós e por Tia Jô; por Bia (prima e dinda) e por Leo (primo). Tem pouco contato com os outros primos, mas também se diverte com eles quando podem estar juntos. A novidade aqui é a relação com Vovô Luis que ela chama de “vovoís”. Está bem mais próxima e adora ir com ele ao supermercado no fim de semana!

Ama ir para casa dos avôs. Aliás, adora ir para qualquer lugar. Passear na rua é com ela mesma. Adora ir ao supermercado, ao shopping e á praia. Comporta-se bem em restaurantes, fica sentadinha em sua cadeira. O que é até difícil de acreditar, já que é bem ativa. Dever ser porque também adora comer. Definitivamente comer não é um problema!

Estamos agora tentando tirar a fralda, coisa bem chata, diga-se de passagem. E ela ainda não consegue pedir antes, mas agora avisa quando começa a fazer o serviço. Maria ainda usa o bubu (chupeta) para dormir e, ás vezes, também quando está querendo dengo. Mas só em casa. Graças a Deus já dorme a noite toda, mas agora não quer mais dormir de tarde nos fins de semana. Grita logo - Dormir não, mamãe! - Assim que acaba de almoçar e tomar banho.

Enfim, minha pequena está crescendo, se desenvolvendo e a cada dia nos surpreende com um novo aprendizado. É realmente mágico ver uma criança crescer e descobrir o mundo... Do seu jeito, no seu ritmo.




terça-feira, 15 de março de 2011

Para João

"...Quando eu estava esperando você, com aquele barrigão, era seu pai quem fazia
supermercado pra mim. O último, eu me lembro bem: ao abrir as sacolas, entre
um item e outro da lista, encontrei chocolate, azeitonas pretas bem grandes,
biscoitos, frutas fresquinhas e o meu sorvete predileto.
O vidro de azeitona ainda durou muito tempo na geladeira, mesmo depois que
seu pai deixou esse mundo, me fazendo lembrar as palavras da sua bisavó
Juju: “Que absurdo as coisas durarem mais do que as pessoas”.

Adoro o blog Para Francisco de Cris Guerra. Foi de lá que tirei o trecho acima. Se vocês visitarem o blog (e garanto que devem fazer isso) não vão entender porque estou copiando justo esta parte. É, eu sei, eu sei. Lá tem tanta coisa incrível de se querer reproduzir, copiar, ler e ler novamente, mas é que as palavras da bisa do Francisco, a Dona Juju, bateram em mim: quantas e quantas vezes fiquei fula da vida ao dar de cara com coisas que me lembram meu filho e que permanecem ali intactas, que ainda existem e persistem depois de sua partida... Quantas e quantas vezes fiquei perplexa ao constatar que aquela coisa ainda estava aqui e meu filho não... É, Dona Juju, decididamente é um coisa besta as coisas durarem mais que as pessoas...
Mas com o tempo isso passa. Esta sensação esquisita, estranha, incômoda e até revoltante passa. Só o que não passa, não passa nunca é a saudade e a vontade de abraçá-los mais uma vez...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Minha "pequena"...

Estou devendo há algum tempo um texto para minha irmã caçula... Não que ela tenha me cobrado, mas desde que escrevi para a mais velha, fiquei com uma vozinha dizendo: "E para Fabi? O que vai ser, hem?"

De: Mariana Para: Fabiana

O que dizer a vc, minha irmã caçulinha que na verdade parece ser mais velha que eu? Calma! Digo isso em um sentido totalmente positivo: é que você é muito mais esperta e muito mais sagaz do que eu. Para mim você é, muita vezes, um mistério. Embora seja extremamente franca, é verdade, você é indecifrável, inconstante, camaleoa talvez.

Mas sei que é uma mulher retada, como se diz bem baianamente. Batalhadora, que, bem diferente de mim, sabe o que quer e sabe como chegar lá. Acredita no trabalho e se entrega a ele de corpo e alma. Sei que defende suas idéias com uma convicção assombrosa. Não só por ser esperta e inteligente, mas porque realmente sabe das coisas... Discordar de vc é para poucos e, graças Deus, vc me concede este privilégio, muito embora, grande parte das vezes meus argumentos desmontam e desabam na sua frente sem qualquer chance de reconstrução (ca ca ca).

Sabe ser doce e meiga e nunca se esquece de agradar. Sei que ama sua família e gostaria de estar mais perto, mas sua vida é tão corrida que muitas vezes, tenho certeza, não está onde gostaria de estar...

Sei que tem um humor refinado e sabe se divertir. Tem insights brilhantes e diz coisas prá lá de instigantes. Sei também que me faz refletir e pensar...

Sei ainda que tenho saudades do tempo em que éramos mais próximas, mais chegadas e que eu me sentia assim um tanto talvez sua mãe. É que você já foi tão louquinha, tão piradinha... Meu pai, coitado, quase enlouquecia e eu me sentia na obrigação te proteger. Hoje não precisa de minha proteção, aliás, talvez, a gente até tenha invertido os papéis. Não que eu tenha virado uma louquinha, é claro. Mas você é tão segura, tão cheia de certeza que eu me sinto totalmente ingênua em sua presença.

Sei também que te amo muito e que sempre haverá um espaço enorme reservado só para você no meu coração e que se, em algum momento, você precisar de colo volto imediatamente a fazer o doce papel de mãe...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

As cinco pessoas que você econtra no céu.


Peço desculpas aos meu leitores pela demora em publicar um novo post. Ou melhor, peço desculpas a mim mesma (até porque dizer que "tenho leitores" é um pouco demais , né? he he he). Bom, é isso. Peço desculpas a este meu cantinho, aqui dentro de mim, que ficou assim abandonado todo este tempo. Mas garanto que não foi por falta de amor. Foi apenas pela minha incapacidade de dividir atenção quando estou muito empolgada com alguma coisa. É tenho este defeito, ou melhor característica: as vezes pode me trazer bons resultados; outras vezes não.

Para este retorno achei um texto escrito por Jô. Era um texto que acompanhava um presente que ela me deu no meu aniversário em 2007. O presente era um livro cujo título era As cinco pessoas que você encontra no céu. Mas na verdade, o presente mesmo foram as palavras que ela escreveu para mim. Não que o livro fosse ruim (se bem que não era lá grande coisa, he he he), mas é que o texto era tão comovente, tão gratificante que nenhum livro (e olhe que amo livros) teria a mínima chance naquele momento...

De: Giovana Para: Mariana

Mari,

Se eu fosse uma das cinco pessoas a te encontrar no céu, uma das cinco a falar por você e dar o significado de sua vida, eu diria bem alto para os anjos e santos ouvirem:

Esta pessoa, este espírito, minha irmã, me acompanhou por toda minha vida sem nunca faltar. Sem ela, eu poderia ter desistido muitas e muitas vezes... Eu não teria a mesma alegria em tantos momentos... Eu não aprenderia tanto sobre o amor, sobre a renúncia, sobre o despreendimento.

Sem esta companheira, minha vida teria tons de azul, mas nunca tão fortes. Teria gargalhadas passageiras, mas não sorrisos eternos. Teria amizades, mas nunca a maior de todas. Teria apoio, mas jamais a compreensão de almas afins.

Todas as imperfeições de um coração humano podem ser sanadas pelo amor verdadeiro. E esta minha irmã tem várias histórias de amor para serem contadas. A minha é apenas uma delas. Uma que mostra parte do valor e do significado de sua vida.

Espero que eu também saiba, enquanto Deus nos permitir andar juntas e desfrutar de alegrias e enfrentar as tristezas, te mostrar que meu amor por você é eterno e incondicional.





























sexta-feira, 7 de maio de 2010

Dri: mais que amiga... uma filha de coração.


Já tem 02 dias que futuco meu báu de mensagens, textos e cartas á procura do próximo post... Não encontrei nada que queira publicar agora. Algumas estão guardadas para um momento específico, outras simplesmente me disseram: ainda não estou pronta para ser exposta...
Bom, hoje recebi uma mensagem de Dri, aquela minha amiga do Rio.
"Oi queridas,
Se eu fosse voces, leria AGORA.
Amo vocês!
Assinado: Eu..a amante de vocês...hahahahah"
Li imediatamente, obvio; e era uma mensagem sobre as mães, ou melhor sobre três mães. Eu era uma delas! Fiquei comovida com a homenagem e descobri que aquele era o texto do meu próximo post.

De: Adriana Para: Carla Para: Mariana Para: sua MÃE por escolha...

"Dia das Mães pra mim é Lojas Marisa, Riachuelo, Zara, C&A e afins. Não me comove. Nunca me comoveu na verdade. Só conseguia tirar algumas lágrimas minhas quando eu tinha lá meus 10, 11 anos e lembrava que não tinha a minha mãe (desencarnou no meu parto). Hoje vejo por outro ângulo. A hora de cada um chega na "hora certinha". Enfim... não estou aqui para falar de mim (me senti uma candidata ao senado agora... ou prestes a cortar alguma fita de uma casa beneficente).

Conheço e convivo com estas três mães aí de cima... a última foto, minha fofa, minha mãe por escolha, claro convivo mais. Mas não quero falar de uma por uma. Quero ser direta: são AS mães com quem tenho o prazer e a felicidade de conviver. Cada uma com seus problemas, lutas e dores, mas sempre, eu disse SEMPRE, estão com um sorriso para mim. Até meu Quindim (sou eu! Mariana) que é de escorpião e por isso cheia das luas como eu, rsrsr. Pessoas de fibra, de luta, de sorriso em riste, de coração aberto, de maluquices interessantes... parabéns para elas três, em nome de todas as outras. Mas é delas que carrego a imagem do que é SER MÃE. Do que é cuidar, presentear com amor, fomentar caráter nos filhos. É delas que reconheço cada gesto de " Tenho que ajudar meu filhote hoje com a lição"... ou " Ela adora grão de bico".... ou ainda " Minha filha, obrigada pela cama nova... não precisava".

Não sei o que é SER mãe, por mais que eu quisesse (já não carrego mais este desejo tão vívido dentro de mim). Acho que Deus não quis, sei lá porquê...até me deu uma chance, mas perdida. Enfim, a hora é de agradecer ao Universo a convivência que tenho com estas três mães. Elas me deixam embevecida com a qualidade, o carinho, a responsabilidade e a certeza que tem em seus corações de serem mães. Parabéns a vocês três pelos filhos, pela força, pela amizade com eles, pelas lutas, pelo dia a dia e obrigada por me deixarem participar de suas vidas....

Feliz ANO das Mães!

Obs.: E se a mãe de vocês for o máximo, aproveitem-se do amor dela. A gente nunca sabe quanto tempo tem por perto..."





sexta-feira, 16 de abril de 2010

Giovana Chetto por Mariana Chetto

Como algumas pessoas já sabem, estou, junto com mais 04 mulheres, fazendo um outro blog, o Mulheres TPM - ternas, polivalentes e modernas. Somos eu, Bia e Alba (que vocês já conheceram aqui) e mais 02 outras amigas: Dri do Rio e Carlinha do trabalho. Estamos, acho que posso dizer por todas, curtindo muito. Mas conto mais sobre este quinteto depois. O fato é que o primeiro post deste outro blog foi a apresentação de uma pela outra e minha irmã, Giovana, gostou tanto que acabou soltando: eu adoraria que alguém escrevesse um texto desse tipo pra mim... Então, acabei escrevendo o 'tal' para ela. Não podia publicar no outro blog, mas ao reler achei-o perfeito para este aqui.

De: Mariana Para: Giovana

Muitas coisas importantes sobre Giovana não serão ditas. Não há como resumir tantos momentos. Momentos em que ela foi mais do que irmã, mais do que amiga, mais do que... não existe uma palavra única que possa descrever tudo que ela foi, é e sempre será para mim.

Jô é, para mim , exemplo de coragem, simplicidade e transparência. Vê o mundo de uma maneira tão simples que as vezes até me assusta. Totalmente descomplicada, ela é o que é a todo instante e não sabe usar máscaras. Algumas vezes mal humorada, é verdade, pois não tem paciência para as complicações e devaneios que a gente tece e entretece diante da vida. É comum ela não compartilhar de sentimentos tão humannos e tão normais para qualquer um de nós, como inveja, ciúme e posse. As vezes está tão na frente da gente, que se quer entende nossas aflições.

Quem a conhece apenas superficialmente pode achá-la um tanto seca, dura até, em certas ocasiões, mas na verdade é apenas seu senso prático diante dos dilemas da vida. Giovana não tem tempo para dramas. Ela vai lá e faz o que é preciso fazer ou fica quieta, se entende que não há o que fazer.

Claro que tem medo, insegurança, tristeza, decepções, mas diferente de mim que abro a boca, procuro colo, canto, leio, escrevo e exijo ouvidos muito pacientes, ou seja atrapalho a paz de todos, ela simplesmente se faz ausente, vai para seu canto. Chora, sofre o que há para sofrer e logo em seguida está de volta: novamente 'a boa e velha' Giovana de sempre. É que para ela tudo é muito natural...

Quem a conhece bem sabe que mulher generosa ela é. Capaz de amar igualmente seus filhos ou qualquer criança que precise de carinho, amor e atenção.

Sempre presente em minha vida em todos os momentos, todos mesmo, suas experiências, vivências e dores me transformaram. Sua vida traduzida em palavras, textos e frases me ensinam mais e mais a cada dia. Quantas vezes suas palavras foram conforto, força, coragem e até mesmo, sem ela se quer imaginar, sentido para esta, as vezes, tão estranha jornada...

Acho que ela não faz idéia do quanto é grande. Do quanto é linda. Do quanto é poderosa. Ela não precisa de roupas bonitas e na moda. Nem tão pouca de sobrancelhas bem feitas. Ela não precisa ser magra. Só precisa ser ela. Assim mesmo, do jeitinho que ela é. E todos se curvarão diante de tamanha beleza...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Tudo que desejo para minha filha...

Novembro/2009
Bianca está nos Estados Unidos morando com uma família americana e fica impressionada com a certeza que seu 'irmão' tem sobre a religião dele. Parece que ele fala da bíblia com muita convicção e Bianca manda um e-mail para sua mãe perguntando sobre qual a opnião do Espiristimo (crença de sua mãe, sua avô e de boa parte de sua família) sobre a Bíblia.

Giovana responde. E Bianca responde de volta.

Esta resposta de Bianca é o sonho de toda mãe, ou pelo menos deveria ser...
Na verdade é o mais profundo desejo de todos que acreditam que nada pode ser mais importante do que plantar a semente da consciência, da certeza, paz ou simplesmente Fé.
De minha parte digo: nada poderá ser mais gratificante para mim do que ver minha filha chegar neste nível de Compreensão...

De: Giovana Para: Bianca

...Vc. não levou o livro O Evangelho segundo o Espiritismo? Se tiver levado, vai ver que ele é todo em cima da Bíblia. O livro pega trechos dos evangelhos, que compõem a bíblia, e explica estes trechos a partir da visão espírita.

Sobre o espiristimo, o que posso dizer é que uma crença antiga. Os grandes filósofos como Platão já acreditavam na imortalidade da alma e na reencarnação. O espiristimo acredita em Deus como criador de tudo e em Jesus como um ser evoluído que esteve na Terra para nos mostrar o nosso objetivo aqui – aprender e evoluir para seres capazes de amar sem restrições.

Neste sentido, a Terra é uma escola. Cada vida de um espírito é como um ano letivo. Podemos passar ou repetir. Voltar atrás nunca! É como uma escada com vários degraus. E o que faz a gente saber se estamos subindo ou se estamos parados? Para mim tem a ver com paz de espírito e consciência tranqüila. Não tem a ver com felicidade. Podemos estar tristes, mas se for uma tristeza justa, não perturba nossa paz.

O grande problema é conquistar e manter a consciência tranqüila diante dos inúmeros dilemas que a vida nos oferece:
Voto numa pessoa porque é bom para mim ou porque é bom para todos?
Proíbo minha filha de fazer algo ou deixo ela livre para correr o risco de quebrar a cara?
Xingo o motorista que me ultrapassa ou procuro me colocar no lugar dele e pensar que deve estar atrasado para algo importante? Brigo com o vizinho, pois estou com a razão ou engulo um sapo em nome da paz?

As escolhas que fazemos devem (ou deveriam) estar de acordo com o que acreditamos. Vc ta entendendo o que estou dizendo? A religião só importa se servir para guiar nossa vida. É ela que vai dizer se vamos nos desesperar por um longo período porque perdemos alguém que amamos ou se vamos chorar, guardar aquele amor e seguir em frente porque a vida não para... porque existem milhares de pessoas para serem amadas e nós restringimos nosso amor apenas aos mais próximos.

A vida nos coloca estes momentos, estes grandes sofrimentos, estes grandes dilemas justamente para ver a decisão que tomamos. Estamos prontos para perdoar? Para seguir em frente? Só vamos saber disto diante destes momentos... É porque somos fracos, muito fracos e então, se não somos empurrados, não nos mexemos e nunca chegaremos ao fim da nossa escada.

Isto não quer dizer que devemos aceitar o mal, as injustiças, a dor, como coisas irremediáveis. Quer dizer que estas coisas acontecem porque somente poucos de nós são capazes de, por decisão própria, aceitar todos os obstáculos dos caminhos certos e pular de degrau.

Esta crença é o que eu considero de mais importante para deixar para vc e para Leo. Não quer dizer que você tenha que concordar com tudo (mas tem que saber porque discorda), nem que tem que acreditar na mesma coisa. Mas pode te ajudar a construir sua própria crença.

Vc diz que reza, mas não sabe para quem. Talvez o que vc não saiba é o PORQUE.

Porque vc reza? O que vc busca? O que vc pede? As respostas estão em vc, filha. Se sente perdida, e espera uma receita pronta enviada por um ser Poderoso, não vai conseguir. Vai se decepcionar. O auto-conhecimento é um caminho difícil e demorado e é ele que nos dá grande parte de nossas respostas. O melhor conselho que posso dar se está angustiada e perdida, com dúvida, é VIVA. Viva prestando atenção a todos os momentos, a todos os detalhes. Aproveite o que vem de bom e o que vem de ruim, porque a Vida dá e diz tudo para gente, mostra os sinais, indica os caminhos. E, se a gente estiver aberta a ouvir, erramos menos.

Apesar dos amigos, da família, dos apoios que encontramos, a verdade terrível é que estamos absolutamente sós nesta busca. Mas isto pode ser tb maravilhoso porque significa que, para termos sucesso (como espíritos eternos e não como pessoas deste nosso mundinho primitivo, cheio de egoísmo, intolerância e desamor - reflexo de nós, infelizmente) só dependemos de NÓS MESMOS! Vc. é o Poderoso!

De: Bianca Para: sua mãe

Mãe,
Eu não me sinto perdida. Eu não me sinto sozinha, não me sinto angustiada, não estou em desespero. Tudo o que você disse, todas as palavras, eu já levo tudo isso comigo. Eu levo isso comigo pq aprendi isso com você, com minha familia e mãe, eu aprendi isso com a minha vida. Eu realmente fiquei impressionada com a certeza que meu 'irmão' tem sobre a religião dele. Isso me ensinou a respeitar mais as crenças das outras pessoas e a entender que todos nós temos respostas diferentes e que a verdade é relativa.

Eu sempre tive a mania de me colocar pra baixo, de me sentir mau, de 'fazer drama' como você sempre gostou de dizer. Mas hoje eu vejo isso como outra vida, outra realidade. Eu estou em paz. Eu me sinto bem com o mundo, com a vida, com as pessoas. Eu amo todas as coisas, todas as pessoas. Eu to vivendo, mãe. Eu to vivendo, e eu to aprendendo.

Quando Joâo morreu eu senti raiva. Eu senti raiva de mim, eu senti raiva de Deus. Eu senti muita raiva de Deus. Eu tentei sofrer calada, eu via a fé, a força,que você tinha, que tia Mari tinha, a força, tão incompreensível para mim, que fazia vocês irem em frente, que fez vocês aceitarem. E eu era tão pequena, e eu sentia tanto ódio que eu realmente acreditei que eu sabia mais que vocês. Que eu sabia de uma coisa horrível, de uma verdade crua, e que vocês todos viviam numa ilusão. Eu acreditei que eu nunca ia conseguir acreditar em nada de novo, pq eu tinha visto a realidade, enquanto vocês preferiam se esconder na ilusão de um Deus. Até que em um dia tudo parou. Foi como se a raiva se transformasse em saudade, e aos poucos eu pude ver o mundo de um jeito diferente. No aniversário de um ano da morte de João eu fui até o cemitério pra me despedir. Eu sei que eu não precisava estar lá pra me despedir, mas mesmo assim, era como se eu precisasse passar por aquilo de novo. Eu me libertei naquele dia.

Hoje eu vejo como minha fé era fraca, como eu era pequena. Hoje eu tenho fé, mãe. Eu tenho fé em mim. Eu tenho fé nas pessoas, eu tenho fé em voce. E eu tenho muita fé em Deus. Eu tenho dúvidas as vezes, mas não da existência Dele, e sim dos 'fundamentos' da religião espírita.

Eu sei por que eu rezo. Eu rezo agradecendo por estar aqui, pela vida que Ele me deu, rezo pela família maravilhosa que eu tenho, agradeço por ter nascido no Brasil, por ter nascido na minha família, rezo pela força que ele me dá todos os dias, rezo agradecendo por todos os dons, todas as oportunidades, agradecendo por todos os momentos, eu agradeço pelas lágrimas, pelas dúvidas, eu agradeço por cada Segundo. Eu rezo por você, por meu pai, por Leo, pela nossa família, rezo pelo meu povo, pelo meu país, eu rezo pelas pessoas que sofrem tanto, eu rezo pra que Ele ilumine essa gente que tem tanto poder pra fazer o bem mas que se deixa corromper, eu rezo pra que Ele ilumine o meu caminho. Pra que me dê coragem, pra que me dê forca. Eu rezo pra que Ele me guie, eu rezo pra ser capaz de realizar a missão que Ele me deu. Eu peço perdão pelas oportunidades que desperdicei, peço perdão por ter estado cega por tanto tempo, peço perdão pela minha incompreensão, pela minha presuncão. Peço que Ele me faça mais humilde.

E eu vivo a minha vida tão bem agora, eu aprendi que só preciso de mim pra ser feliz.

Eu aprendi que eu sou muito boa em ser feliz!

Eu tenho tanta certeza agora, mãe. Tanta certeza de quem eu sou. Não pq eu possa me definir, mas pq eu vivo de acordo com o que eu acredito. Eu não me arrependo de nada. Eu sei perdoar, eu sei me perdoar. Eu aprendi que eu não tenho controle sobre o que os outros pensam de mim, eu aprendi que nada mais importa com tanto que eu esteja fazendo o que acho que é certo. Eu aceitei que eu só posso ir até um certo ponto, e que o resto não depende mais de mim. Eu vejo a vida como um todo, eu vejo cada detalhe, e eu amo cada detalhe.

Eu sei que voce já me disse tudo isso antes, e que eu já levava tudo isso em mim desde sempre. Eu aprendi que eu tenho todas as respostas. Mas eu tb aprendi que não adianta decorar as lições que você me passou, as lições que eu imagino, as teorias que eu crio. A verdade é que eu tenho que viver e redescobrir tudo isso de novo e de novo a cada dia.

Eu aprendi que eu sou forte e que eu posso ser quem eu quiser ser.

E eu rezo também pra que eu continue evoluindo. Pra que um dia eu esteja no mesmo nível que você está, que minha vô, que Tia Mari está. Pra que um dia eu também possa passar pra alguém o que você passou pra mim.

Mãe, alivia seu coração, pq eu to bem, eu to feliz, eu to vivendo, e eu te amo. Fica em paz pq vc me passou tudo, pq vc me criou tão bem que hoje, aos 16 anos, eu me sinto completa! Eu me sinto completa mesmo sabendo que ainda tenho muito a aprender, muito a viver, muito a sentir. Fica tranquila pq eu te amo, e eu vou te amar sempre. E eu vou voltar pra você em breve.

terça-feira, 9 de março de 2010

Quando uma lua se põe, um grande sol renasce...



Prometi postar um texto desde o ano passado e embora - tenho certeza disso – ninguém vá se lembrar desta promessa e nem tão pouco me cobrar o seu cumprimento (he he he), minha cabeça fica sempre martelando... É que minha memória é incrível para as coisas escritas. O que é, no mínimo curioso, porque, também o que não está escrito até parece que não aconteceu: esqueço quase que completamente. Infelizmente esta regrinha da minha mente não vale para as grandes e fortes emoções... Seria ótimo, né? Eu escreveria todos os bons momentos para jamais esquecê-los e nunca escreveria sobre as dores e tristezas e elas simplesmente desapareceriam. Na verdade, acabei de me dar conta que no campo das emoções funciona exatamente ao contrário. Só consigo me curar das dores que estão escritas. Mesmo que não tenha sido eu quem as escrevi. Ainda bem! Porque as vezes os sentimentos são tão fortes que minha confusão mental é tão grande que eu seria incapaz de ordená-los num texto. Mas basta que eu consiga identificar o meu sentimento tão bem descrito em algum lugar... e pronto. Começa o meu processo de superação....
Foi assim com o texto a seguir. Eram palavras tão perfeitas para o meu momento que pareciam (ou foram mesmo?!)sopradas para minha amiga por algum AMIGO em comum... Foi depois de ler este texto que tudo começou a fazer algum sentido. Pude começar a ordenar minha cabeça "em chamas" e depois de ler e escrever muito encontrei o meu caminho para cura...

De: Alba Para: Mari e Marcus

"Eu vou tentar falar na linguagem simples dos índios...”Quando uma lua se põe, um sol nasce. Para que uma sol nasça, é preciso que a lua se ponha.”
A gente não compreende perfeitamente o mistério da Vida. Mas o que eu “aprendi” é que a vida é um segundo de consciência entre dois mistérios que são um. Quando a nossa lua se põe, o nosso sol renasce.
A vida e a morte são amigas, companheiras, ainda que a gente não entenda. Ainda que doa em nosso coração simples. Mas dentro da nossa dor, da nossa lua, encontramos a Força. Ás vezes, até a nossa paz, paz do dever cumprido, do amor carinhosamente dado, de poder dizer sim à Vida, numa tarefa, missão, algumas vezes árdua. Mas o Mistério nos permite isso: dizer Sim, sem muitas vezes sequer compreender o sentido. Ser instrumentos de uma sinfonia maior. Nós somos muitas vezes a ponte, apenas a ponte para uma expressão da Vida que o espírito anseia completar. E o pequeno ensina ao grande.
Mas estamos aqui, de pé, prontos para esse sim, como as árvores. Que o Grande Pai Maior, lhes cubra de bênçãos, de forças, de compreensão. E que no Silêncio do seu coração, a aceitação do que é esse mistério, lhes acalme, lhes traga essa paz. Porque o Sol de João renasceu, e onde ele Vive, ele possui um coração são que ainda não nos foi dado. E a gente se curva diante da grandeza do amor do Pai e da coragem da Mãe.
Que os meus amigos iluminados pela consciência da Verdade do espírito, os abençoem, porque “quando a lua se põe, um grande sol renasce!”

Com amor, da amiga de sempre, sempre..."

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

De: Giovana Para: Bia

Depois que me casei e comecei a pensar em ter um filho, sempre desejei que fosse um menino. Não sei ao certo o porque disso. Sempre que me perguntavam eu dizia que era porque eu achava que menino dava menos trabalho, que menina era cheia de "frescurinhas" - lacinhos, fitinhas, babados etc e que eu não tinha muita paciência para isso. Talvez fosse um certo patriarcalismo, descabido, é verdade, nos tempos modernos, mas que estava aculturado na minha cabecinha de vento... (bom, com certeza era de vento, pois a justificativa era, no mínimo, imatura e míope, né?). Outro motivo que costumava apresentar era que sempre me pareceu que as meninas eram mais apegadas aos pais e os meninos à mães. Realmente não sei dizer porque eu acreditava nisso, mas o fato é que antes eu realmente preferia ter um menino do que uma menina.
Também não sei ao certo quando foi que isso mudou dentro de mim. E agora me parece ser a coisa mas sem nexo do mundo. Justo eu que tenho tanto amor, respeito e admiração pelas mulheres da minha família? Justo eu que amo tudo que diz respeito ao Sagrado Feminino? Justo eu que tenho verdadeira paixão pelo poder, complexidade e dualidade da psique feminina? Como assim não queria ter uma filha???? Decididamente já faz algum tempo que isto não é verdade para mim... Não que eu agora prefira ter filha. Na verdade agora eu prefiro ter filhos, sejam eles homens ou mulheres... (E que fique bem claro que esta é uma opção pessoal, pois acredito que filhos devam ser sempre uma opção e não uma obrigação). Como eu disse, não sei quando exatamente isso mudou, mas sei que foi depois do nascimento de João, pois foi só depois de João que eu deixei de ser "Menina Mariana" para ser "Mãe Mulher Mariana" (se vc não entendeu, leia a postagem “"Era uma vez..." de 13/12/2009” ). Foi só depois que me transformei em "Mãe Mulher Mariana" que consegui enxergar a beleza e a sabedoria das Mulheres que estavam a minha volta, que faziam e fazem parte da minha vida... e porque não a minha prória beleza e sabedoria...
Hoje tenho uma filha, uma menina e tudo que desejo é que possamos juntas dançar "A Ciranda das Mulheres Sábias", uma perspectiva do feminino que me foi apresentada por Clarissa Pinkola Estés, mas que na verdade sempre esteve ao meu alcance na minha relação com a minha mãe, ou ali mesmo do meu lado, por exemplo, na relação de minha irmã com sua filha. É nesta ciranda de relações que juntas aprederemos, eu e minha filha, uma com a outra, a sermos cada vez mais sábias e por isso mais felizes... O texto a seguir, escrito por Giovana (minha irmã mais velha), é só uma pequena amostra, de como diria Clarissa, "da mulher em processo permanente de tornar-se sábia, ao ensinar as jovens e se reenraizarem na vida da alma... "Jovens" significando qualquer uma com menos conhecimento, menos experiência do que ela própria. Esses ensinamentos se estenderão muito adiante, dando a verdadeira vida, e não permitindo o rompimento da linha matrilinear... Nós somos as herdeiras. Todas nós pertencemos a uma linhagem longuíssima de pessoas que se tornaram lanternas luminosas a balançar na escuridão, iluminado o prório caminho e os passos de outras... Suas luzes continuam a oscilar no escuridão... através de nós... podemos ter inspirações a partir das suas inspirações. Desse modo, nos também aprendemos a passar oscilantes pela escuridão. Uma mulher assim iluminada não consegue encontrar o próprio caminho, sem também lançar luz para outras."

De: Giovana Para: Bia

"Para minha mãe, Para minha filha, Para minha neta....
Queria tanto conhecer seus pensamentos, saber o que você precisa, saber dizer para você algo que realmente te ajudasse e fizesse sentido dentro do seu modo de ver a vida. Era fácil amar e cuidar de você quando era minha menininha. Agora, eu me pergunto todos os dias “será que consegui cuidar bem desta pessoa? Consegui passar pelo menos parte das coisas que sei que vai precisar ao longo da vida? Consegui fazê-la entender que pode contar comigo sempre e que eu a amo com todo meu coração?”. Não sei.
Sei que você cresceu. É quase uma mulher. Já não posso mais decidir o que vc vai fazer, o que pensa, em que acredita, o que é bom ou mau, certo ou errado. Espero ter te ajudado a decidir estas coisas. Se não fiz, me perdoe. Eu tentei e quis isto todos os dias da minha vida. Mas eu também era uma menina. A gente nunca é grande o suficiente para ensinar a ninguém. Vc vai entender isto.
Sei também que, - apesar de eu continuar em cima de você, te enchendo para arrumar o quarto, cuidar de Leo, colocando horário para vc vir para casa, dizendo onde vc vai ou não – nosso tempo como mãe e filha está acabando. E está nascendo um novo tempo, em que meu grande desejo é ser sua amiga. A melhor. Não aquela que vc conta seus segredinhos, que é a primeira a saber dos “causos”, a companheira de gargalhadas. Esta função eu quero também, mas não preciso ser a primeira.
Eu quero ser aquela para quem vc corre quando estiver triste. Quando seu coração estiver em dúvidas quanto ao melhor caminho. Quero ser a que vc sabe que, mesmo quando fizer a maior besteira do mundo, vai estar firme, mesmo com o olhar meio zangado, mas com o coração totalmente alinhado com sua dor, com suas dúvidas. Vc entende isto, filha querida? Entende que eu realmente posso ajudar porque passei por tudo que vc vai passar?
Minhas respostas nunca serão as suas. Somos pessoas diferentes, colocadas juntas por benção de Deus. Mas se estamos juntas é porque temos sim, o que ensinar e aprender uma com a outra. Por favor, não esqueça disto em seu caminho futuro, que está cada dia mais perto de você e que te leva, inevitavelmente, para longe de mim, e para perto de novos amores, novas descobertas, novas alegrias e novas dores.
Mas eu sei esperar. Esta é a função maior de uma mãe, de uma amiga de verdade. Falar apenas quando consultada, ficar de longe, vendo vc andar sozinha, quebrar a cara, rezando baixinho que venha me procurar e perguntar minha opinião para que possa tentar evitar algumas dores. Algumas. Todas seria impossível.
E, no final, suprema alegria no meu coração, ver vc olhar para mim e perceber que vc entendeu, finalmente, tudo que eu te disse ao longo de sua vida – até mesmo esta carta que talvez não faça sentido para vc. Perceber que vc sabe que eu te amei muito e que fiz sempre o melhor que pude. Exatamente como sei que vai fazer com sua filha, minha neta ( que é para demorar muito ainda, viu? Olha lá!!! – desculpe, não resisti em dar uma de mãe).

Não se esqueça de dizer a ela que é preciso se cuidar sempre, do corpo e da alma, para que a vida seja boa até o fim. Eu não fiz isto e hoje, aos 35 anos, muitas vezes me sinto uma velha. Diga que nada nesta vida é tão importante que mereça nosso desespero. Algumas lágrimas, um tempo de luto e pronto. A vida continua e deve ser assim.
Diga que nada pode ser tão bom quanto o tempo de colégio e que ela aproveite bem o dela. E chore quando terminar cada etapa e não deixe passar em branco estas despedidas e faça como a mãe dela fez – escrever cartinhas para dizer a todos o quanto os ama! Isto será um momento inesquecível. E são eles que fazem a vida valer a pena.
Diga que o amor é a coisa mais maravilhosa da vida, mas não é fácil de ser encontrado. Diga que não troque a solidão por um amor pela metade. Não vale a pena. Diga que ela vai ter que ter muita atenção e esperteza para perceber que o amor verdadeiro( haverão muitos que não são, com certeza) chegou e mais ainda para fazer com que ele dure. Mas que esta vai ser a melhor luta que terá.
Diga que ela vai chorar muitas e muitas vezes na vida, sozinha, na cama, com a certeza de que ninguém entende sua dor. E vai ser verdade, em parte. Porque se ela correr para vc, tudo vai ficar mais fácil. Diga que ela nunca esqueça que tem uma família que a ama. A família é o abrigo de anjos que Deus colocou na terra para gente. Não deixe ela perder isto.
Diga que vão haver momentos de grande alegria – o primeiro emprego, o primeiro amor, o casamento, os filhos. E que todos devem ser curtidos com entrega total, sem medo. Porque ela merece. Todos nós merecemos ser felizes. Mas, diga que a felicidade não é algo externo ao nosso coração. Não depende dos acontecimentos, mas de como estamos com a gente mesmo. E isto é lição mais difícil. Eu nunca consigo pôr em prática direito.
Diga que ela vai precisar trabalhar muito para ter o que quer – casa, carro, viagens, roupas. E vão ser grandes conquistas. Mas lembre a ela que precisamos de muito pouco para viver. Quase tudo que juntamos em uma vida é supérfluo. Passaríamos sem. Portanto, que ela nunca troque um bom dia de conversa com um amigo, uma tarde com crianças numa creche ou uma manhã na praia com os filhos, pelo trabalho. Será uma troca injusta.
Diga que Deus pode ou não existir para ela. Mas que o amor a si mesmo e aos outros nunca pode ser uma dúvida. Diga que a religião pode não ser uma opção. Mas que a busca da paz, da harmonia e da consciência tranqüila rege a vida de todos nós e é preciso seguir esse caminho.
Por fim, diga a ela que sua mãe te disse tudo isto. Que sua mãe tinha mania de querer se meter na sua vida e de achar que sabia o que era melhor para vc. Diga que muitas vezes sua mãe te chamou no quarto e começou a falar um monte de coisas que não tinham nada a ver com o que vc queria , mas que vc a amou pela intenção (espero).
Diga tudo isto a ela. E vai ter de volta aquela cara de quem está pensando “ esta minha mãe é meio maluquinha”... E eu, esteja onde estiver, vou estar vendo isto e cochichando no seu ouvido. “Não se preocupe. Ela vai entender um dia. Quando tiver uma filha...”.

Com muito, muito amor. Sua mãe. Sua amiga.
06 de dezembro de 2007.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Meu "Rapaz Companheiro"


Em todas as postagens até agora sempre coloquei um prefácio, ou melhor, uma introdução antes do texto propriamente dito. Achei necessário e bem bacana esta estrutura e havia me comprometido a mantê-la em todas as postagens. Mas o texto deste post é diferente dos outros e estava realmente com dificuldade de cumprir o prometido... É que todos os textos até então tinham um contexto bem definido. Foram escritos em um momento específico, relativo a um determinado evento e por isso era fácil e até mesmo necessário uma introdução. Mas o texto em questão é inspirado em uma convivência de quase 16 anos... É resultado de uma incalculável quantidade de momentos partilhados... Momentos de dor, de alegria, de dúvida, de paixão, de amizade, de conflito, de dificuldades, de aperto... É impossível também qualificar todos eles... De qualquer forma posso dizer que o momento da publicação é porque em 21/01/2010, este meu "Companheiro de Viagem" completa 37 anos de idade.

De: Mariana Para: Marcus

Amigo, irmão, palhaço, amante.
Pode ser insuportável, é verdade, mas não o quero por muito tempo distante.
Simples, fácil. Completamente transparente.
Difícil, chato; mas ao contrário de mim, sempre coerente.
Preciso, exato. Por vezes totalmente equivocado, mas ainda sim presente.
Amo isso... SOR-RI-DEN-TE.
Alegre, conversador e absolutamente impaciente.
Invocado, brabo; mas capaz de gestos apaixonantes.
Leal, fiel. Família completamente.
Divertido. Preguiçoso?! Inegavelmente.
Sonhador. Sedutor... impossível lhe dizer não.
Amo-te assim, exatemente assim...
Definitivamente.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Politicamente incorreto ou racismo?

Sobre este tema, escreveu muito bem uma grande amiga que admiro e respeito muito. Não só pela sua inteligência e sensibilidade - que a tornam capaz de escrever excelentes textos, principalmente do tipo: "isso dá o que pensar..." - mas pela sua coragem em ser, para o mundo, o que ela realmente é. E para isso, caros leitores, é preciso muiiiiita coragem...
Recebi este texto por e-mail. Na verdade era uma resposta a um outro e-mail que ela havia recebido e cujo tema era: O uso do "nego" e do "neguinho". Racismo ou politicamente incorreto? O e-mail que ela recebeu discorria sobre a reflexão de uma pessoa logo após ler a expressão "neguinho" na frase de uma atriz famosa:''O lado ruim, horroroso da fama, é você estar, por exemplo, tomando um suco com o irmão e neguinho fotografa e diz que você está com um homem misterioso...''. Então esta pessoa começa a pensar: "E aí, o termo é preconceituoso ou é coisa da minha cabeça tentando ser politicamente correto. Coisa que eu abomino, mas vira-e-mexe, me pego fazendo....?" Lendo sobre o assunto, ela se deparou com o seguinte comentário no blog do Alex Castro: "Por algum misterioso e inconsciente mecanismo, alguém que não concorda com você ou que tem atitudes estranhas, inexplicáveis, insuportáveis e/ou arrogantes, seja nos seus textos, seja em conversas informais pelo Brasil afora, é chamado de "nego". Não de "sujeitinho" ou de "carinha", mas de "neguinho". Quem concorda ou age como você nunca vai cair na categoria de "neguinho". Certamente quem usa essa expressão não está indignado com as atitudes da negraiada, nem pensa em termos de raça quando fala "neguinho não tem noção". Mas provavelmente esse costume deve ter uma origem, esfumaçada pelo tempo, onde havia um componente racista." Ela acaba por concluir: "Pare pra pensar. Na maioria dos casos, realmente, usamos a expressão "nego" ou "neguinho" pra designar o outro, o estranho, mas sempre com um componente negativo. "Nego" ou "Neguinho é aquele que, em geral, faz coisas que eu não faria." Ela termina o e-mail propondo que voltemos a fala da atriz.
Quando li esta parte do e-mail, antes da resposta da minha amiga, fiquei também fazendo o mesmo processo de reflexão: o que eu penso disso? Concordo ou discordo? Não acredito em imposição de comportamento e por isso nunca acreditei em comportamento politicamente correto. Acredito sim em: ouvir, perceber. Refletir, compreender. Intenarlizar. E só então, realmente mudar... Confesso que o argumento do tal Alex, por ser lógico, real e pertinente mesmo, me deixou confusa... Mas meu pai sempre usou a expressão "minha nega", por exemplo, e decididadamente não havia outra conotação, senão carinho... e aí é preconceito ou é o bem dito "politicamente correto" querendo se estabelecer sem sentido real...
Mas a resposta da minha amiga coloca muito bem a situção... "Net, net, diriam os indianos, nem isso e nem aquilo..."

De: Alba Para: Todos
"Oi querida...vale responder...
Também detesto o politicamente correto...ele traz explícita a hipocrisia e implícita a continuidade da não aceitação seja lá do que for...mas o 'eu não aceito, não gosto e não compreendo' subsiste, acoitado pela "fina educação" que impõe o tratamento...mas ainda assim, para além dos lábios está a verdade...
Ficava sempre imaginando a história dos empregados domésticos: nunca chamei empregada doméstica de secretária. Primeiro porque ela não é uma secretária, são funções diferentes. E também porque sempre vi que as inúmeras patroas de "secretárias", assim as chamam, pensando estar no auge da educação e modernice, mas ainda não permitem que essas pessoas comam a mesma carne que elas, entrem na sala, usem o mesmo elevador, as abracem sem medo e lembre-se de seus aniversários... Continuam com aquela mentalidade escravagista que é tão entranhada em nossa classe mediazinha, em nossa burguesiazinha... Não há reconhecimento da dignidade do trabalho dessas pessoas, e da necessidade tamanha que temos delas para seguir com nossas vidas burguesas... Sem elas e sua disposição para fazer nossas camas, para lavar e passar nossas roupas, cozinhar nossas comidas não poderíamos nos apresentar no mundo Maior, mais Bonito, mais Interessante das vaidades profissionais, das reuniões sociais e de todas aquelas coisinhas fakes que tanto damos importância... well, well...
Outro dia vi uma ex-colega de colégio, no supermercado fazendo compras, ela apontando os produtos que queria e a 'secretária' pegando. Fiquei pensando naquele dedinho apontador incapaz de pegar a Q-boa na prateleira... ou outro dia, outra figurinha desse mesmo colégio que tanto amo, mas que produz aberrações também, ou melhor, que acolhe aberrações, deixando o seu baby na escola, de manhã cedinho, andando na frente bolsa a tiracolo, e a babá atrás, carregando o bebê ainda no maternalzinho (não tinha dois anos, acho...) Fiquei pensando...é, não carregamos nem nossos filhos, em nome das castas sociais...e perdem-se tantos momentos de cuidar pessoalmente da cria... Se fossem duas ou três crianças, que não se dá conta de levar e trazer da escola, vá lá... E ainda por cima a farda, para diferenciar e não haver qualquer dúvida sobre quem é quem...
Então, me pergunto: secretária para quê? Se não sou grata, se não respeito, reconheço, vejo e digo da minha necessidade da sua existência, da sua importância? Secretária para quê, se me torno um incapaz de fazer coisas mínimas a respeito da minha vida como lavar as próprias roupas, comprar a própria comida e, remotamente, até preparar um cafezinho para nós duas? Passar um café para a "secretária"???
Realmente não respeito os politicamente corretos. Respeito os conscientes que transcendem essas divisões... é o mesmo que se dá com o neguinho... Neguinho é sempre o outro. É uma herança. Mas que pode ser não validada na medida em que vemos o caráter sócio-histórico e ideológico por trás do tal neguinho lá, e vamos além das diferenças... internamente, de dentro para fora...
Quando estive no Canadá, me apaixonei pela Manitoulin Island, uma ilha grande na província de Ontario, quase que totalmente sob influência dos índios nativos norte americanos. Claro que quando me maravilhei e honrei aquelas nações, aquele povo, dormindo com eles, comendo da comida deles e tentando pertencer naquele momento àquela beleza ímpar (quem me conhece sabe que adoro a cultura indígena), perguntei algo a um canadense sobre onde estavam os índios? E ele, como os outros que estavam perto me olharam fulminantes, com tamanho horror de mim, e me respondeu rispidamente: Você quer dizer os first nations, ou os primeiros nativos das grandes nações...Wow!! Quase morri de vergonha e medo mesmo de ser linchada, mas não vi nenhum daqueles senhores reverenciarem e mudarem a miséria em que os first nations ainda vivem, pobres e fora de lugar. Não vi eles nadando com as indiazinhas naquela água tão fria daqueles lagos tão exuberantes... Os arremedos... Pois é... eu e meu índio politicamente incorreto, mas cheio de amor e admiração. Cheio de aceitação... de curiosidade, de respeito... de reverência pela forma daquelas pessoas de verem o mundo... foram dias muito bonitos os que passei com eles... Aprendi muita coisa...
Infelizmente não sou politicamente correta, até mesmo com o neguinho, diante de minha própria condição de neguinha.. .rsrs Mas a consciência chegando, naturalmente vão se desvanecendo as cores, as nações, as funções sociais.. .pela consciência, esse processo aí que você ficou fazendo! Ahaa! É isso que está por baixo do que digo, falo, faço? Hummm...
Aposto que se sair mais algum neguinho, será um dos últimos que você dirá. Não porque você é politicamente correta, mas porque você compreendeu e aceitou a nossa humanidade, de todos, de mim e do outro que me antagoniza naquele momento, mas humanamente iguais... e tudo se desidentifica. Aí, não falamos mais. Ou se falamos, falamos um neguinho carinhoso, meu neguinho, minha neguinha... minha empregada que cuida muito bem de mim, meu funcionário fiel, minha sogrinha, meu vizinho, minha madrasta, meu filho adotivo do coração... meu professor que fez aquilo que sou hoje, meu padeiro, e por aí vai.. .Não é fantástico?!
Net, net, diriam os indianos, nem isso e nem aquilo... nem muito e nem tão pouco. Nem neguinho, nem hipocrisia, mas profunda aceitação do outro e de nós mesmos... e aqueles que, de repente, não significam nada para nós porque nos antagonizam, passam a ser parte da gente, ou são mesmo a gente em muitas outras condições.
Um avião cai e todos morrem: neguinhos, first nations, europeus, branquinhos, japas dos olhos puxadinhos, aborígenes... todos morrem.
Todos morrem e todos fedem.
Todos fedem e viram adubo nessa terra maravilhosa.
Viram adubo e florescem lindas flores, lindas rosas, tulipas, margaridas... enfim..."

domingo, 13 de dezembro de 2009

Era uma vez...


Desde que iniciei este blog pensei sobre qual seria o momento ideal para publicar a história a seguir. Acho que ele finalmente chegou, pois além de considerar a passagem do ano um momento de renovação, hoje 27/12/2009, minha filha, Maria João, completa seu 1º aninho.
Mas antes de ir para o texto preciso dar um pequena explicação: logo após a morte de João, meu primeiro filho, e ainda por muito tempo depois, eu tinha muita dificuldade em dizer "morreu". Sempre tentei encontrar uma outra palavra ou expressão que representasse melhor o que a morte significava para mim. Não encontrei. Pelo menos não numa palavra, ou apenas numa expressão...
Tentei "partiu" ou "se foi", mas me pareceu completamente absurdo se ele está sempre aqui comigo... Perdi?! Como assim? Se eu sei exatamente onde encontrá-lo... "Voltou para casa", é verdade para muitos, mas não se encaixa perfeitamente na minha verdade. Não gosto da idéia de que a casa dele não pudesse ser aqui, fisicamente, junto a mim.
Acabei chegando a conclusão de que a melhor palavra é "morreu" mesmo, pois esta terá um significado diferente para cada pessoa ou, no meu modo de ver, para cada situação. Para mim "cada morte" terá sempre um significado diferente... Por isso não sei definir o que é a morte, mas sei, dizer, exatamente, através de uma "historinha meio prosa, meio verso" o que é a morte de João para mim.
Não acredito - e também não espero - que esta hitória que escrevi em 24/08/2009, faça sentido para mais ninguém. Mas para mim ela é a maior de todas as verdades, pois aprendi que a "VERDADE", "A GRANDE VERDADE", aquela que buscamos desesperadamente, é simplesmente aquela que consola nosso coração, que nos trás paz, que nos mantém bem conosco e com o mundo a nossa volta... Pelo menos esta é a MINHA verdade...

De: Mariana Para: João e Maria João ou talvez seja para mim mesmo...

Era uma vez uma menina. Mariana era o seu nome. A menina Mariana cresceu, mas continuou menina. Um dia, a menina Mariana conheceu um rapaz. O rapaz fez-se companheiro e conquistou seu coração. Eles se apaixonaram e desse amor nasceu João. Mas João não era um menino comum. Era na verdade um raio de sol que um dia, talvez por curiosidade, ou talvez por necessidade, tomou de um corpo e virou João.
João chegou numa manhã de sábado, e chegou deixando claro que não iria ficar aqui por muito tempo não. A Menina Mariana se assustou, ficou confusa e chorou. Ela queria que o menino João, sendo raio de sol ou não, ficasse por aqui um tempão. Mas ele era raio de sol... E é impossível segurar luz com a mão...
O menino João tinha um coração frágil, fraco, mas o Raio de sol era forte, guerreiro e encantador, seu sorriso era pura luz capaz de espantar qualquer escuridão.
E a Menina Mariana o amava e cuidava dele e era ela toda dedicação. A luz de João era tão forte que aquecia e agigantava o coração da Menina Mariana, que embora se recusasse a crescer, acabou por obter força e coragem para ver o novo mundo que o Raio de sol lhe levou a conhecer. Era um mundo mais duro, mais difícil, cheio de dor, ansiedade e confusão, mas também era um novo mundo de amor, de puro amor, em meio a tanta ilusão. Sim, foram tempos difíceis, hospital, agulhas, remédios, noites sem dormir. Medo de tudo, medo do dia seguinte, medo de não ver mais o menino João... Mas, também, foram tempos de aprendizado, fortalecimento e construção. Construção de um amor verdadeiro, incondicional, repleto de alegria; pois quando João sorria o mundo se iluminava e ficava tudo fácil então. Foi só com João que a Menina Mariana aprendeu o verdadeiro significado de palavras tão comuns e corriqueiras, como família, amigos, apoio, solidariedade e compaixão.
E a Menina Mariana finalmente cresceu sob a luz intensa do menino Raio de sol João e Mariana não era mais menina, era Mulher, era Mãe, era enfim Compreensão.
E foi chegado o dia, o dia que o menino Raio de Sol partiria deixando somente saudade em seu coração. Os médicos em vão tentaram, por horas a fio se esforçaram, mas como conter luz tão intensa, como manter dentro de um corpo tão frágil tanta sabedoria, tanto amor e tanta paixão, pois a medida que o corpo do menino João crescia sob o amor de sua mãe, a luz de Raio de sol crescia cada vez mais e sempre em maior proporção. Sua luz era agora mais forte e brilhante e tinha necessidade imensa de se expandir e brilhar em toda direção.
Antes de ir pediu um beijo a sua Mãe Mulher Mariana e neste beijo acendeu a luz que ele havia plantando naqueles três anos e meio no seu coração. A mãe mulher Mariana na hora não percebeu que a luz se acendeu, tal era seu medo, pavor e apreensão. Mas, enquanto os médicos tentavam a mãe mulher Mariana, ainda que com medo e assustada, sentindo tamanho aperto em seu coração, foi inspirada em oração; e com certeza não sozinha estava quando com bravura e compreensão entregou o Raio de sol de volta ao Pai Maior esperando que assim tivesse fim a total escuridão.
Então veio a notícia. O Raio de sol partira levando o pequeno grande João. E neste momento a luz se apagou, fez-se o pranto, a dor e novamente a incompreensão. A mãe mulher Mariana esqueceu-se da promessa e de toda decisão, novamente virou menina e embora não parecesse, pois chorava brandamente, xingou, se desesperou e desejou que a terra se abrisse e dela saísse todo mal e podridão e que engolisse a tudo e a todos, tal era o seu ódio e sua decepção. E ficou neste estado, de desespero calado, até a total exaustão. E daí por diante tudo era nuvem e confusão, vôo de volta para casa, velório, enterro, multidão...
Mas o amor da família, pais, amigos, do rapaz companheiro e dos irmãos conseguiu pouco a pouco reacender a luz plantada por João. E o Pai Criador junto com o Raio de sol João a perdoou por serem puro amor e pura compreensão, pois entendem toda dor de uma mãe quando não mais pode ver seu filho com o sentido da visão.
A mãe mulher Mariana seguia sua vida ao lado do seu rapaz companheiro. Eram felizes, é verdade, apesar de toda saudade que havia em seus corações. De vez em quando ainda choravam e claro sentiam muita falta do pequeno grande João. Mas o tempo acalma tudo e embora a saudade, tinham certeza, nunca deixaria seus corações, eles conseguiam viver a vida sem maior complicação.
Mas a mulher Mariana se esforçava para ser apenas, esposa, filha, tia, amiga, profissional, irmã. Não que não fosse mãe, claro que era, mas sentia falta de ser chamada por este nome, sentia falta de barulho de criança, choro, pedido de colo, reclamação.
Foi então que o Raio de sol João teve uma idéia e segredou ao Criador sua nova invenção: que tal mandar para mãe mulher Mariana a flor mais linda do jardim da redenção? E o Pai Criador feliz e orgulhoso da bondade de seu filho João concordou imediatamente e tomou a decisão: manda Maria olhos de céu. Ela será pura diversão...
E assim foi. A mulher mãe mariana encheu seu ventre novamente de esperança e resolução e recebeu em seus braços a flor mais linda do jardim de João...
Desde o início ela sabia que era uma menina linda que estava se formando então, pois em um sonho o Raio de sol lhe sussurrou: Mãe, é Maria esta menina, a flor mais perfumada do meu jardim de irmãos... E então esse é o nome da menina que virá. Maria de João, Maria João para o nosso coração alegrar. Nome estranho, disseram alguns, mas como poderia então mudar, se é Maria de João, não há como negar.
E então ela chegou linda e perfumada, uma flor. Seus olhos são duas contas, olhos de céu, devo falar e seu sorriso é uma festa que só Raio de sol soube engendrar.
E Mãe Mulher Mariana traz aceso em seu coração, a luz plantada pelo Raio de sol João e quando esta luz, por algum motivo, pensa em se apagar Maria João a acende com apenas um olhar.
Então é esta a história de Mariana. Menina que recebeu um Raio de sol e virou Mãe mulher.
Mãe de Maria. Mãe de João.

De: Mariana Para: Minha família

Temos uma tradição de família que já dura pouco mais de 20 anos. Todo segundo sábado do mês de dezembro nos reunimos em um grande almoço onde estão presentes os filhos, netos, bisnetos, trinetos e mais recentemente até os tataranetos dos pais de minha mãe. Amo estes encontros. São momentos de alegria, renovação e, inevitavelmente, tristezas também... No ano de 2006, em 14 de novembro, João, meu primeiro filho, morreu com 3 anos e meio de idade depois de 10h de cirurgia e uma noite inteira de idas e vindas até o desenlace final...
Foi para este encontro, em 2006, que escrevi o texto a seguir.
Tenho que fazer uma ressalva: neste texto roubei palavras de uma grande AMIGA, Alba Querino. Pouco tempo depois da morte de meu pequeno grande João, ela me presenteou um texto lindo, poético, consolador, uma benção... - prometo postá-lo na intégra em outra oportunidade. Eram palavras tão perfeitas para o meu momento que foi inevitável usá-las....

De: Mariana Para: Minha família

Quero agradecer a Deus por ter nascido nesta família. Nesta família que me ensinou o verdadeiro sentido da vida.
Graças aos ensinamentos desta família eu pude ter a benção de receber sob os meus cuidados o pequeno grande João. Um espírito iluminado que fez parte da minha vida por muito pouco tempo, mas que ficará comigo para sempre...
Se eu não soubesse das verdades que aqui aprendi, eu não poderia ter sido instrumento da vontade do Pai Maior em ajudar João no resgate que ele aqui realizou.
Nestes três anos que João esteve aqui vivi na prática muitos destes ensinamentos. Exercitei o amor sem apego todos os dias e acredito que este é o "grande aprendizado" de nossa vidas. Pois o apego é, para mim, a causa de todo sofrimento humano. Alguém pode dizer, então, que para não sofrer basta apenas não se envolver, não cativar, não cuidar, não amar... Mas sem amor não há felicidade...
Exercitar o amor sem apego foi tudo que fiz nestes três anos... E espero que eu saiba aproveitar esta oportunidade que me foi dada e continue este exercício.
Quero dizer a estas pessoas - que amo muito e que sei que me amam também - que não se preocupem comigo eu tenho o consolo do dever cumprido, de ter dito sim ao amor. E se as vezes estou triste, muito triste... É só saudade...

Como escreveu uma grande amiga:
“...A vida e a morte são amigas, companheiras, ainda que a gente não entenda. Ainda que doa em nosso coração simples. Mas dentro da nossa dor encontramos a Força. Ás vezes, até a nossa paz, paz do dever cumprido, do amor carinhosamente dado, de poder dizer sim à Vida, numa tarefa, missão, algumas vezes árdua. Mas o Mistério nos permite isso: dizer Sim, sem muitas vezes sequer compreender o sentido. Ser instrumentos de uma sinfonia maior. Nós somos muitas vezes a ponte, apenas a ponte para uma expressão da Vida que o espírito anseia completar. E o pequeno ensina ao grande..."

Alguns agradecimentos especiais:
A minha mãe: que tem o poder de consolar o meu coração
A meu pai: o equilíbrio e a segurança de que nunca estou só
A minhas irmãs: amigas eternas, cúmplices. Para elas praticamente não existem segredos
A meus sobrinhos: que são para mim alegria e esperança
E um agradecimento, me perdoem os demais, ainda mais especial
a Marcus: fonte de força, coragem, vontade de viver. Companheiro desta e de tantas outras batalhas já travadas e que ainda iremos travar...
E o maior de todos agradecimentos a Deus que me permitiu ter todos estes espíritos ao meu redor...

O Natal ou De: Bianca Para: sua família


Para esta época do ano escolhi dois textos. O primeiro é meu mesmo, escrito no Natal de 2006. O segundo foi escrito por minha sobrinha, Bianca, a filha mais velha de minha irmã Giovana, no Natal de 2008. Peço permissão, porém, para inverter a ordem cronológica e postar, primeiro, o texto de Bia. Porque? Porque primeiro prefiro que vocês entendam o que é o Natal na minha família, ou melhor, que tipo de família é a minha... e o texto de Bia é perfeito para isso. Creio que assim entenderão melhor o meu texto, escrito no Natal mais difícil, estranho e vazio da minha vida. Mas esta é uma outra história... que contarei mais tarde...
Bem, então a vamos ao "primeiro" texto. O de Bia, a menina dos meu olhos. Bianca é muita mais que minha sobrinha... Ela é - como diria Clarissa Pinkola Estés - a minha Khaleh "palavra iraniana com significado de uma intimidade familiar especial e carinhosa ou afinidade psíquica com outra alma. Almas afins que se comunicam muito além das palavras...". Bia escreveu este texto no primeiro Natal que passou longe de nós. Ela tinha, na época, apenas 16 anos e, pelo texto que poderão ler a seguir - e por outros tantos que ainda postarei neste blog - perceberão que ela é realmente especial...

De: Bia
Para: Sua família


"Para mim o Natal nunca significou muita coisa. No fundo, nunca relacionei essa data ao nascimento de Cristo, nem nunca parei pra pensar no sentido que esse dia tem para as pessoas.
Me acostumei com os presentes, os jantares… Em ter todo mundo reunido, em estar com a minha família. E, ter tudo isso, todo ano, me deixou tão mal acostumada que eu nunca parei pra pensar em como seria se, por algum motivo, eu não tivesse isso.
Eu me lembro de todas as mensagens, todas as orações natalinas, todos os discursos em que vocês –vó, vô, tias, tios – tentaram mostrar a importância dessa ocasião, o verdadeiro sentido do Natal e a sorte que a nossa família tem, que eu tenho, em poder se reunir nessa data.
Eu sempre dei muito valor a essas lições, sempre escutei com muito cuidado e realmente achei que entendia tudo isso. Eu achei que tinha aprendido, que compreendia o sentido do Natal, a importância de uma família unida.
Mas a verdade é que só agora, não estando aí com vocês, é que eu realmente entendo. Não é só o sentar ao lado de um conhecido e brindar “a um nascimento que aconteceu dois mil anos atrás". Não é só uma noite de festa e comilança. É a afirmacão constante dos laços que unem a nossa família. É a celebracão do amor que nos mantém unidos, que nos da força, que nos ilumina. O Natal é o nascimento de Cristo em cada um de nós e comemorar isso com quem a gente ama é o maior presente que podemos dar uns aos outros.
Ah, Familia Querida, o que eu tenho pra dizer é tão simples, e ainda assim, me faltam palavras… Me faltam frases, pontos, virgulas, pra descrever a eterna gratidão e o amor incondicional que eu tenho por cada um de vocês. Pra dizer o quanto cada membro dessa familia significa pra mim, pra traduzir o quanto penso em vocês, em TODOS vocês. O que posso fazer é me conformar com a minha falta de talento literário, me conformar em não ser Vinicius ou Chico ou Cecilia e dizer, sem mais floreios, o que quero que vocês saibam:
Eu estou longe de casa há quase cinco meses. Vivo com uma nova familia, e, quando é preciso, me mudo para casa de outra familia por alguns dias. Viajo constantemente com pessoas que conheci por poucas horas, encontro alguém diferente a cada passo que dou. E não teve um minuto, um momento sequer, que tive medo ou que me senti desconfortável.
Não é porque eu não sinta saudades ou seja corajosa. Eu me sinto em casa aqui, como tenho certeza que me sentiria em qualquer outro lugar. Eu me sinto em casa por que eu tenho cada um de vocês comigo a cada passo que eu dou. Eu sinto os laços tão fortes dessa família que eu amo, eu me sinto protegida, amada. Eu me pego agradecendo a Deus por cada dia, por cada membro que compõe essa corrente, essa muralha que me dá força.
Enfim, o que estou tentando falar é: Obrigada. Obrigada por estarem comigo sempre, obrigada pelo simples fato de existirem. Obrigada por todas as broncas, todos os sorrisos, todas as lições, todos os encontros. Obrigada por serem a minha família. E, é, claro:
Feliz Natal!"


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ah! O amor...



Acho simplesmente o máximo aqueles discursos que o padrinho faz nos casamentos americanos.

Corrigindo: acho o máximo aqueles discursos que os padrinhos fazem para os noivos nos FILMES americanos... Realmente não sei se é só coisa de filme, mas, de qualquer forma, acho muito emocionante e divertido.

Minha irmã mais nova vai casar, sou madrinha e tenho a maior vontade de fazer um belo discurso. Como meus dotes de escritora não são lá muita coisa e nunca teria coragem de ler para sei lá quantos convidados, decidi fazer aqui uma breve dedicatória aos noivos. Busquei inspiração em um texto que gosto muito: “O que é o amor?” De Liane Alves, publicado na Revista Vida Simples em 01/2005.

Ok, ok. Não será nada parecido com as cenas emocionantes e muitas vezes cômicas dos filmes americanos, mas será de coração. Prometo!

De: Mariana Para: Fabiana e Cândido

O que desejo aos noivos...

Desejo para vocês amor. Nada mais obvio, é verdade. O que mais posso desejar aos noivos: felicidades, é claro. E de onde vem a felicidade senão do amor? Ainda mais óbvio.

Mas talvez o tipo de sentimento que esteja desejando para vocês não seja assim tããããão obvio... Afinal muitos confundem este sentimento. Até mesmo poetas e cineastas insistem em definir o amor como uma sensação embriagadora, um surto de emoção, palpitação, desejo de sair cantando e dançando “Singing in the Rain” no meio da rua. Tudo isso pode ser muito bom, é verdade, mas não é o amor. O amor que desejo para vocês, começa depois do “The End”.

O amor que desejo para vocês nascerá da convivência, dos sentimentos cultivados no dia-a-dia, frutos da atenção e do cuidado. Dá muiiiiiiiiito trabalho, é verdade. Eu diria mesmo que é uma árdua conquista. Uma escolha que exige participação ativa e consciente. Enfim, o amor é um sentimento cultivado com muiiiiiiiiiiita paciência.

Deu vontade de desistir, ne?

Mas não desistam. Amar não é fácil, mas a recompensa é grandiosa. E quem diz isso não sou eu, que tenho tanta dificuldade quanto qualquer um em alcançar esse amor verdadeiro. Quem diz é o Dalai Lama, um dos maiores conhecedores do amor. E o que ele diz? Que o amor é a chave da maior felicidade que podemos provar na Terra. Vou repetir: "a maior felicidade que podemos provar na Terra".

Isto deve ser verdade... Isto tem que ser verdade!!!! Pelo amor de Deus!!!! Afinal, porque outro motivo, decidimos, de livre e espontânea vontade, nos unir a outra pessoa para o resto de nossas vidas??? É porque no fundo, beeeeeem lá no fundo “sabemos” que isto é verdade e mais: é porque “sabemos” que amar só se aprende amando... Acredito mesmo que amar se aprende amando, assim como andar se aprende andando, tocar se aprende tocando e viver se aprende vivendo.

Acredito realmente que o amor é um sentimento a ser aprendido. Talvez até mesmo seja esta razão de nossas vidas: aprender a amar. Por isso digo e repito: não desistam, ou melhor, não desistamos (afinal isto vale pra todo mundo, né? Inclusive eu, he he he), pois o amor entre duas pessoas, na medida em que se torna mais consciente e menos egocêntrico, transforma-se em um exercício que pode ser expandido na direção dos outros seres humanos. Ganha então novas cores e possibilidades.

...e desse exercício diário de amar um ao outro poderá surgir, então, o verdadeiro AMOR...

Por fim, uma historinha...
Diz um Conto Chinês que um jovem foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe sobre as dúvidas que tinha a respeito de seus sentimentos sobre sua jovem e bela esposa. O sábio escutou-o e disse-lhe apenas uma coisa: Ame-a, e logo se calou.
Disse o rapaz:
- Mas ainda tenho dúvidas.
- Ame-a, disse-lhe novamente o sábio.
E diante do desconcerto do jovem, depois de um breve silêncio, o sábio disse-lhe o seguinte:
- Meu filho, amar é uma decisão, não um sentimento. Amar é dedicação. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um exercício de jardinagem. Arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame, ou seja, aceite, valorize, respeite, dê afeto, ternura, admire e compreenda. Simplesmente: Ame!

sábado, 21 de novembro de 2009

O começo ou De: Giovana Para: Todos

Como começar? Qual texto postar primeiro? Lembrei do que meu pai sempre me diz nestas situações: o melhor é começar pelo começo. Então é isso. O começo. A origem. Como surgiu a idéia para este blog.
Estava mais um vez lendo as diversas mensagens, e-mails, bilhetes que guardo exatamente para ler de vez em quando e pensei pela enésima vez: eu devia partilhar estes textos. Como não sou uma internauta que se preze - nem orkut eu tenho!!!!! - pensei novamente na solução a moda antiga: podia editar um livro... Diante das dificuldades que isso representa, mais uma vez "ia" desistir. Porém, desta vez, o texto que li em seguida mudou tudo. Renovei meu antigo desejo, insuflei minha vontade com uma boa dose de perseverança e pesquisando descobri o óbvio: um blog, ora bolas!
É exatamente este texto que vocês vão ler agora. Pelo menos este "ia" não se tornará um "nunca fiz".

De: Giovana (minha irmã)
Para: todos (sei que ela escreveu para si mesma, mas como ela teve coragem de partilhar...)

"Mais uma vez, diante de um daqueles livros recheados de frases de sabedoria sobre a existência eu me pego pensando em minha vida. Elaboro perfis, reúno sonhos, lembro metas, traço planos. Só para, depois de um tempo, ver tudo ser esquecido como....não há metáfora para esta sensação de perda de tempo.
A vida para mim deveria ser simples. Eu preferia um mundo menos burocrático, no pior sentido da palavra. Preferia mais bom senso do que leis. Mais solidariedade do que sistemas sociais. Mais iniciativas individuais do que a espera pela reviravolta que virá com o Melhor Governo para o Povo. Preferia o respeito espontâneo do que o politicamente correto.
Apesar de pensar assim, é neste nosso mundo que eu vivo – porque é o que eu mereço e o que eu ajudei a construir. Pior. Continuo ajudando cada vez que acordo para mais um dia comum e rotineiro, nos quais me nego o direito e o dever de transformar este mundo olhando e interagindo com ele de uma forma diferente.
Este mundo que construímos nos pede tanto – perfeccionismo, sucesso, beleza, riqueza, liberdade sexual, independência, autonomia, decisões rápidas, agilidade, conhecimento global, amores eternos, ...e o que nos dá em troca?
Meu mundo simples não me pede nada disto. Não me quer perfeita, apenas humana. Não quer que eu seja rica, linda, decidida, promissora, executiva. Não me pede para esconder minhas dúvidas, meus medos, minha dor. Não preciso nem fingir amar ao próximo se não o amo.
Meu mundo diz apenas – Conhece a te mesmo e segue seu caminho. Mas porque isto é tão mais difícil do que levar a vida como ela é? Sempre pensei que fosse porque significava descobrir quem sou, aceitar quem sou e gostar de mim. Mas não é. É porque significa fazer o mundo enxergar quem sou, fazê-lo aceitar quem sou e não me importar se gostam ou não de mim.
Renunciar a aceitação social, sempre que ela cobrar um preço alto demais. Por isso é tão difícil. Estaremos sozinhos na decisão de sermos loucos, pobres, donas de casa, pacifistas, mulheres sem filhos, profissionais sem carreiras de sucesso, pessoas que não elegem a educação acadêmica como fundamental, gordas saudáveis, andarilhos sem destino, escritores sem livro, românticos inveterados, virgens à espera do príncipe, jovens sem rebeldia...
O que não percebemos é que já estamos sozinhos por não seguimos nosso caminho. Renunciamos a nós mesmos em nome de...que? E não somos nada, além de pessoas num dilema de fundir a cabeça. Vivemos sem pensar o nosso dia e, quando fazemos isto, ficamos apenas na linha do pensamento. Não mudamos. Não seguimos.
Ficam para trás, aquela ginástica que a gente ia começar, o emprego que a gente ia largar, o trabalho que a gente ia buscar, o amor que a gente ia conquistar, os amigos que a gente ia rever, o projeto social que a gente ia conhecer, o idoso sozinho que a gente ia ajudar, a criança abandonada que a gente ia visitar, a viagem de mochila que a gente ia fazer, a mãe querida que a gente ia abraçar, a família linda que a gente ia cultivar..Todos temos nossos ias.
Por quanto tempo vamos adiar nossa decisão de estar em paz com a gente mesmo? Isto não quer dizer (ou quer, para alguns) dar as costas a tudo que temos, a vida que construímos até agora. Eu, pessoalmente acho que podemos mergulhar no conhecimento interior e seguir nosso caminho sem abandonar nossas responsabilidades, sem descumprir nossas obrigações.
Basta...basta não, porque não é fácil. É vigília constante para não nos perdemos de novo na multidão do rebanho. Mas é necessário e urgente, para todos nós capazes de perceber que “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”, encontrar o equilíbrio entre as exigências do mundo e a gente mesmo. Antes que os nossos ias se transformem em nunca fiz."