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quarta-feira, 9 de junho de 2010

As cinco pessoas que você econtra no céu.


Peço desculpas aos meu leitores pela demora em publicar um novo post. Ou melhor, peço desculpas a mim mesma (até porque dizer que "tenho leitores" é um pouco demais , né? he he he). Bom, é isso. Peço desculpas a este meu cantinho, aqui dentro de mim, que ficou assim abandonado todo este tempo. Mas garanto que não foi por falta de amor. Foi apenas pela minha incapacidade de dividir atenção quando estou muito empolgada com alguma coisa. É tenho este defeito, ou melhor característica: as vezes pode me trazer bons resultados; outras vezes não.

Para este retorno achei um texto escrito por Jô. Era um texto que acompanhava um presente que ela me deu no meu aniversário em 2007. O presente era um livro cujo título era As cinco pessoas que você encontra no céu. Mas na verdade, o presente mesmo foram as palavras que ela escreveu para mim. Não que o livro fosse ruim (se bem que não era lá grande coisa, he he he), mas é que o texto era tão comovente, tão gratificante que nenhum livro (e olhe que amo livros) teria a mínima chance naquele momento...

De: Giovana Para: Mariana

Mari,

Se eu fosse uma das cinco pessoas a te encontrar no céu, uma das cinco a falar por você e dar o significado de sua vida, eu diria bem alto para os anjos e santos ouvirem:

Esta pessoa, este espírito, minha irmã, me acompanhou por toda minha vida sem nunca faltar. Sem ela, eu poderia ter desistido muitas e muitas vezes... Eu não teria a mesma alegria em tantos momentos... Eu não aprenderia tanto sobre o amor, sobre a renúncia, sobre o despreendimento.

Sem esta companheira, minha vida teria tons de azul, mas nunca tão fortes. Teria gargalhadas passageiras, mas não sorrisos eternos. Teria amizades, mas nunca a maior de todas. Teria apoio, mas jamais a compreensão de almas afins.

Todas as imperfeições de um coração humano podem ser sanadas pelo amor verdadeiro. E esta minha irmã tem várias histórias de amor para serem contadas. A minha é apenas uma delas. Uma que mostra parte do valor e do significado de sua vida.

Espero que eu também saiba, enquanto Deus nos permitir andar juntas e desfrutar de alegrias e enfrentar as tristezas, te mostrar que meu amor por você é eterno e incondicional.





























sexta-feira, 26 de março de 2010

Tudo que desejo para minha filha...

Novembro/2009
Bianca está nos Estados Unidos morando com uma família americana e fica impressionada com a certeza que seu 'irmão' tem sobre a religião dele. Parece que ele fala da bíblia com muita convicção e Bianca manda um e-mail para sua mãe perguntando sobre qual a opnião do Espiristimo (crença de sua mãe, sua avô e de boa parte de sua família) sobre a Bíblia.

Giovana responde. E Bianca responde de volta.

Esta resposta de Bianca é o sonho de toda mãe, ou pelo menos deveria ser...
Na verdade é o mais profundo desejo de todos que acreditam que nada pode ser mais importante do que plantar a semente da consciência, da certeza, paz ou simplesmente Fé.
De minha parte digo: nada poderá ser mais gratificante para mim do que ver minha filha chegar neste nível de Compreensão...

De: Giovana Para: Bianca

...Vc. não levou o livro O Evangelho segundo o Espiritismo? Se tiver levado, vai ver que ele é todo em cima da Bíblia. O livro pega trechos dos evangelhos, que compõem a bíblia, e explica estes trechos a partir da visão espírita.

Sobre o espiristimo, o que posso dizer é que uma crença antiga. Os grandes filósofos como Platão já acreditavam na imortalidade da alma e na reencarnação. O espiristimo acredita em Deus como criador de tudo e em Jesus como um ser evoluído que esteve na Terra para nos mostrar o nosso objetivo aqui – aprender e evoluir para seres capazes de amar sem restrições.

Neste sentido, a Terra é uma escola. Cada vida de um espírito é como um ano letivo. Podemos passar ou repetir. Voltar atrás nunca! É como uma escada com vários degraus. E o que faz a gente saber se estamos subindo ou se estamos parados? Para mim tem a ver com paz de espírito e consciência tranqüila. Não tem a ver com felicidade. Podemos estar tristes, mas se for uma tristeza justa, não perturba nossa paz.

O grande problema é conquistar e manter a consciência tranqüila diante dos inúmeros dilemas que a vida nos oferece:
Voto numa pessoa porque é bom para mim ou porque é bom para todos?
Proíbo minha filha de fazer algo ou deixo ela livre para correr o risco de quebrar a cara?
Xingo o motorista que me ultrapassa ou procuro me colocar no lugar dele e pensar que deve estar atrasado para algo importante? Brigo com o vizinho, pois estou com a razão ou engulo um sapo em nome da paz?

As escolhas que fazemos devem (ou deveriam) estar de acordo com o que acreditamos. Vc ta entendendo o que estou dizendo? A religião só importa se servir para guiar nossa vida. É ela que vai dizer se vamos nos desesperar por um longo período porque perdemos alguém que amamos ou se vamos chorar, guardar aquele amor e seguir em frente porque a vida não para... porque existem milhares de pessoas para serem amadas e nós restringimos nosso amor apenas aos mais próximos.

A vida nos coloca estes momentos, estes grandes sofrimentos, estes grandes dilemas justamente para ver a decisão que tomamos. Estamos prontos para perdoar? Para seguir em frente? Só vamos saber disto diante destes momentos... É porque somos fracos, muito fracos e então, se não somos empurrados, não nos mexemos e nunca chegaremos ao fim da nossa escada.

Isto não quer dizer que devemos aceitar o mal, as injustiças, a dor, como coisas irremediáveis. Quer dizer que estas coisas acontecem porque somente poucos de nós são capazes de, por decisão própria, aceitar todos os obstáculos dos caminhos certos e pular de degrau.

Esta crença é o que eu considero de mais importante para deixar para vc e para Leo. Não quer dizer que você tenha que concordar com tudo (mas tem que saber porque discorda), nem que tem que acreditar na mesma coisa. Mas pode te ajudar a construir sua própria crença.

Vc diz que reza, mas não sabe para quem. Talvez o que vc não saiba é o PORQUE.

Porque vc reza? O que vc busca? O que vc pede? As respostas estão em vc, filha. Se sente perdida, e espera uma receita pronta enviada por um ser Poderoso, não vai conseguir. Vai se decepcionar. O auto-conhecimento é um caminho difícil e demorado e é ele que nos dá grande parte de nossas respostas. O melhor conselho que posso dar se está angustiada e perdida, com dúvida, é VIVA. Viva prestando atenção a todos os momentos, a todos os detalhes. Aproveite o que vem de bom e o que vem de ruim, porque a Vida dá e diz tudo para gente, mostra os sinais, indica os caminhos. E, se a gente estiver aberta a ouvir, erramos menos.

Apesar dos amigos, da família, dos apoios que encontramos, a verdade terrível é que estamos absolutamente sós nesta busca. Mas isto pode ser tb maravilhoso porque significa que, para termos sucesso (como espíritos eternos e não como pessoas deste nosso mundinho primitivo, cheio de egoísmo, intolerância e desamor - reflexo de nós, infelizmente) só dependemos de NÓS MESMOS! Vc. é o Poderoso!

De: Bianca Para: sua mãe

Mãe,
Eu não me sinto perdida. Eu não me sinto sozinha, não me sinto angustiada, não estou em desespero. Tudo o que você disse, todas as palavras, eu já levo tudo isso comigo. Eu levo isso comigo pq aprendi isso com você, com minha familia e mãe, eu aprendi isso com a minha vida. Eu realmente fiquei impressionada com a certeza que meu 'irmão' tem sobre a religião dele. Isso me ensinou a respeitar mais as crenças das outras pessoas e a entender que todos nós temos respostas diferentes e que a verdade é relativa.

Eu sempre tive a mania de me colocar pra baixo, de me sentir mau, de 'fazer drama' como você sempre gostou de dizer. Mas hoje eu vejo isso como outra vida, outra realidade. Eu estou em paz. Eu me sinto bem com o mundo, com a vida, com as pessoas. Eu amo todas as coisas, todas as pessoas. Eu to vivendo, mãe. Eu to vivendo, e eu to aprendendo.

Quando Joâo morreu eu senti raiva. Eu senti raiva de mim, eu senti raiva de Deus. Eu senti muita raiva de Deus. Eu tentei sofrer calada, eu via a fé, a força,que você tinha, que tia Mari tinha, a força, tão incompreensível para mim, que fazia vocês irem em frente, que fez vocês aceitarem. E eu era tão pequena, e eu sentia tanto ódio que eu realmente acreditei que eu sabia mais que vocês. Que eu sabia de uma coisa horrível, de uma verdade crua, e que vocês todos viviam numa ilusão. Eu acreditei que eu nunca ia conseguir acreditar em nada de novo, pq eu tinha visto a realidade, enquanto vocês preferiam se esconder na ilusão de um Deus. Até que em um dia tudo parou. Foi como se a raiva se transformasse em saudade, e aos poucos eu pude ver o mundo de um jeito diferente. No aniversário de um ano da morte de João eu fui até o cemitério pra me despedir. Eu sei que eu não precisava estar lá pra me despedir, mas mesmo assim, era como se eu precisasse passar por aquilo de novo. Eu me libertei naquele dia.

Hoje eu vejo como minha fé era fraca, como eu era pequena. Hoje eu tenho fé, mãe. Eu tenho fé em mim. Eu tenho fé nas pessoas, eu tenho fé em voce. E eu tenho muita fé em Deus. Eu tenho dúvidas as vezes, mas não da existência Dele, e sim dos 'fundamentos' da religião espírita.

Eu sei por que eu rezo. Eu rezo agradecendo por estar aqui, pela vida que Ele me deu, rezo pela família maravilhosa que eu tenho, agradeço por ter nascido no Brasil, por ter nascido na minha família, rezo pela força que ele me dá todos os dias, rezo agradecendo por todos os dons, todas as oportunidades, agradecendo por todos os momentos, eu agradeço pelas lágrimas, pelas dúvidas, eu agradeço por cada Segundo. Eu rezo por você, por meu pai, por Leo, pela nossa família, rezo pelo meu povo, pelo meu país, eu rezo pelas pessoas que sofrem tanto, eu rezo pra que Ele ilumine essa gente que tem tanto poder pra fazer o bem mas que se deixa corromper, eu rezo pra que Ele ilumine o meu caminho. Pra que me dê coragem, pra que me dê forca. Eu rezo pra que Ele me guie, eu rezo pra ser capaz de realizar a missão que Ele me deu. Eu peço perdão pelas oportunidades que desperdicei, peço perdão por ter estado cega por tanto tempo, peço perdão pela minha incompreensão, pela minha presuncão. Peço que Ele me faça mais humilde.

E eu vivo a minha vida tão bem agora, eu aprendi que só preciso de mim pra ser feliz.

Eu aprendi que eu sou muito boa em ser feliz!

Eu tenho tanta certeza agora, mãe. Tanta certeza de quem eu sou. Não pq eu possa me definir, mas pq eu vivo de acordo com o que eu acredito. Eu não me arrependo de nada. Eu sei perdoar, eu sei me perdoar. Eu aprendi que eu não tenho controle sobre o que os outros pensam de mim, eu aprendi que nada mais importa com tanto que eu esteja fazendo o que acho que é certo. Eu aceitei que eu só posso ir até um certo ponto, e que o resto não depende mais de mim. Eu vejo a vida como um todo, eu vejo cada detalhe, e eu amo cada detalhe.

Eu sei que voce já me disse tudo isso antes, e que eu já levava tudo isso em mim desde sempre. Eu aprendi que eu tenho todas as respostas. Mas eu tb aprendi que não adianta decorar as lições que você me passou, as lições que eu imagino, as teorias que eu crio. A verdade é que eu tenho que viver e redescobrir tudo isso de novo e de novo a cada dia.

Eu aprendi que eu sou forte e que eu posso ser quem eu quiser ser.

E eu rezo também pra que eu continue evoluindo. Pra que um dia eu esteja no mesmo nível que você está, que minha vô, que Tia Mari está. Pra que um dia eu também possa passar pra alguém o que você passou pra mim.

Mãe, alivia seu coração, pq eu to bem, eu to feliz, eu to vivendo, e eu te amo. Fica em paz pq vc me passou tudo, pq vc me criou tão bem que hoje, aos 16 anos, eu me sinto completa! Eu me sinto completa mesmo sabendo que ainda tenho muito a aprender, muito a viver, muito a sentir. Fica tranquila pq eu te amo, e eu vou te amar sempre. E eu vou voltar pra você em breve.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Meu "Rapaz Companheiro"


Em todas as postagens até agora sempre coloquei um prefácio, ou melhor, uma introdução antes do texto propriamente dito. Achei necessário e bem bacana esta estrutura e havia me comprometido a mantê-la em todas as postagens. Mas o texto deste post é diferente dos outros e estava realmente com dificuldade de cumprir o prometido... É que todos os textos até então tinham um contexto bem definido. Foram escritos em um momento específico, relativo a um determinado evento e por isso era fácil e até mesmo necessário uma introdução. Mas o texto em questão é inspirado em uma convivência de quase 16 anos... É resultado de uma incalculável quantidade de momentos partilhados... Momentos de dor, de alegria, de dúvida, de paixão, de amizade, de conflito, de dificuldades, de aperto... É impossível também qualificar todos eles... De qualquer forma posso dizer que o momento da publicação é porque em 21/01/2010, este meu "Companheiro de Viagem" completa 37 anos de idade.

De: Mariana Para: Marcus

Amigo, irmão, palhaço, amante.
Pode ser insuportável, é verdade, mas não o quero por muito tempo distante.
Simples, fácil. Completamente transparente.
Difícil, chato; mas ao contrário de mim, sempre coerente.
Preciso, exato. Por vezes totalmente equivocado, mas ainda sim presente.
Amo isso... SOR-RI-DEN-TE.
Alegre, conversador e absolutamente impaciente.
Invocado, brabo; mas capaz de gestos apaixonantes.
Leal, fiel. Família completamente.
Divertido. Preguiçoso?! Inegavelmente.
Sonhador. Sedutor... impossível lhe dizer não.
Amo-te assim, exatemente assim...
Definitivamente.

domingo, 13 de dezembro de 2009

O Natal ou De: Bianca Para: sua família


Para esta época do ano escolhi dois textos. O primeiro é meu mesmo, escrito no Natal de 2006. O segundo foi escrito por minha sobrinha, Bianca, a filha mais velha de minha irmã Giovana, no Natal de 2008. Peço permissão, porém, para inverter a ordem cronológica e postar, primeiro, o texto de Bia. Porque? Porque primeiro prefiro que vocês entendam o que é o Natal na minha família, ou melhor, que tipo de família é a minha... e o texto de Bia é perfeito para isso. Creio que assim entenderão melhor o meu texto, escrito no Natal mais difícil, estranho e vazio da minha vida. Mas esta é uma outra história... que contarei mais tarde...
Bem, então a vamos ao "primeiro" texto. O de Bia, a menina dos meu olhos. Bianca é muita mais que minha sobrinha... Ela é - como diria Clarissa Pinkola Estés - a minha Khaleh "palavra iraniana com significado de uma intimidade familiar especial e carinhosa ou afinidade psíquica com outra alma. Almas afins que se comunicam muito além das palavras...". Bia escreveu este texto no primeiro Natal que passou longe de nós. Ela tinha, na época, apenas 16 anos e, pelo texto que poderão ler a seguir - e por outros tantos que ainda postarei neste blog - perceberão que ela é realmente especial...

De: Bia
Para: Sua família


"Para mim o Natal nunca significou muita coisa. No fundo, nunca relacionei essa data ao nascimento de Cristo, nem nunca parei pra pensar no sentido que esse dia tem para as pessoas.
Me acostumei com os presentes, os jantares… Em ter todo mundo reunido, em estar com a minha família. E, ter tudo isso, todo ano, me deixou tão mal acostumada que eu nunca parei pra pensar em como seria se, por algum motivo, eu não tivesse isso.
Eu me lembro de todas as mensagens, todas as orações natalinas, todos os discursos em que vocês –vó, vô, tias, tios – tentaram mostrar a importância dessa ocasião, o verdadeiro sentido do Natal e a sorte que a nossa família tem, que eu tenho, em poder se reunir nessa data.
Eu sempre dei muito valor a essas lições, sempre escutei com muito cuidado e realmente achei que entendia tudo isso. Eu achei que tinha aprendido, que compreendia o sentido do Natal, a importância de uma família unida.
Mas a verdade é que só agora, não estando aí com vocês, é que eu realmente entendo. Não é só o sentar ao lado de um conhecido e brindar “a um nascimento que aconteceu dois mil anos atrás". Não é só uma noite de festa e comilança. É a afirmacão constante dos laços que unem a nossa família. É a celebracão do amor que nos mantém unidos, que nos da força, que nos ilumina. O Natal é o nascimento de Cristo em cada um de nós e comemorar isso com quem a gente ama é o maior presente que podemos dar uns aos outros.
Ah, Familia Querida, o que eu tenho pra dizer é tão simples, e ainda assim, me faltam palavras… Me faltam frases, pontos, virgulas, pra descrever a eterna gratidão e o amor incondicional que eu tenho por cada um de vocês. Pra dizer o quanto cada membro dessa familia significa pra mim, pra traduzir o quanto penso em vocês, em TODOS vocês. O que posso fazer é me conformar com a minha falta de talento literário, me conformar em não ser Vinicius ou Chico ou Cecilia e dizer, sem mais floreios, o que quero que vocês saibam:
Eu estou longe de casa há quase cinco meses. Vivo com uma nova familia, e, quando é preciso, me mudo para casa de outra familia por alguns dias. Viajo constantemente com pessoas que conheci por poucas horas, encontro alguém diferente a cada passo que dou. E não teve um minuto, um momento sequer, que tive medo ou que me senti desconfortável.
Não é porque eu não sinta saudades ou seja corajosa. Eu me sinto em casa aqui, como tenho certeza que me sentiria em qualquer outro lugar. Eu me sinto em casa por que eu tenho cada um de vocês comigo a cada passo que eu dou. Eu sinto os laços tão fortes dessa família que eu amo, eu me sinto protegida, amada. Eu me pego agradecendo a Deus por cada dia, por cada membro que compõe essa corrente, essa muralha que me dá força.
Enfim, o que estou tentando falar é: Obrigada. Obrigada por estarem comigo sempre, obrigada pelo simples fato de existirem. Obrigada por todas as broncas, todos os sorrisos, todas as lições, todos os encontros. Obrigada por serem a minha família. E, é, claro:
Feliz Natal!"


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ah! O amor...



Acho simplesmente o máximo aqueles discursos que o padrinho faz nos casamentos americanos.

Corrigindo: acho o máximo aqueles discursos que os padrinhos fazem para os noivos nos FILMES americanos... Realmente não sei se é só coisa de filme, mas, de qualquer forma, acho muito emocionante e divertido.

Minha irmã mais nova vai casar, sou madrinha e tenho a maior vontade de fazer um belo discurso. Como meus dotes de escritora não são lá muita coisa e nunca teria coragem de ler para sei lá quantos convidados, decidi fazer aqui uma breve dedicatória aos noivos. Busquei inspiração em um texto que gosto muito: “O que é o amor?” De Liane Alves, publicado na Revista Vida Simples em 01/2005.

Ok, ok. Não será nada parecido com as cenas emocionantes e muitas vezes cômicas dos filmes americanos, mas será de coração. Prometo!

De: Mariana Para: Fabiana e Cândido

O que desejo aos noivos...

Desejo para vocês amor. Nada mais obvio, é verdade. O que mais posso desejar aos noivos: felicidades, é claro. E de onde vem a felicidade senão do amor? Ainda mais óbvio.

Mas talvez o tipo de sentimento que esteja desejando para vocês não seja assim tããããão obvio... Afinal muitos confundem este sentimento. Até mesmo poetas e cineastas insistem em definir o amor como uma sensação embriagadora, um surto de emoção, palpitação, desejo de sair cantando e dançando “Singing in the Rain” no meio da rua. Tudo isso pode ser muito bom, é verdade, mas não é o amor. O amor que desejo para vocês, começa depois do “The End”.

O amor que desejo para vocês nascerá da convivência, dos sentimentos cultivados no dia-a-dia, frutos da atenção e do cuidado. Dá muiiiiiiiiito trabalho, é verdade. Eu diria mesmo que é uma árdua conquista. Uma escolha que exige participação ativa e consciente. Enfim, o amor é um sentimento cultivado com muiiiiiiiiiiita paciência.

Deu vontade de desistir, ne?

Mas não desistam. Amar não é fácil, mas a recompensa é grandiosa. E quem diz isso não sou eu, que tenho tanta dificuldade quanto qualquer um em alcançar esse amor verdadeiro. Quem diz é o Dalai Lama, um dos maiores conhecedores do amor. E o que ele diz? Que o amor é a chave da maior felicidade que podemos provar na Terra. Vou repetir: "a maior felicidade que podemos provar na Terra".

Isto deve ser verdade... Isto tem que ser verdade!!!! Pelo amor de Deus!!!! Afinal, porque outro motivo, decidimos, de livre e espontânea vontade, nos unir a outra pessoa para o resto de nossas vidas??? É porque no fundo, beeeeeem lá no fundo “sabemos” que isto é verdade e mais: é porque “sabemos” que amar só se aprende amando... Acredito mesmo que amar se aprende amando, assim como andar se aprende andando, tocar se aprende tocando e viver se aprende vivendo.

Acredito realmente que o amor é um sentimento a ser aprendido. Talvez até mesmo seja esta razão de nossas vidas: aprender a amar. Por isso digo e repito: não desistam, ou melhor, não desistamos (afinal isto vale pra todo mundo, né? Inclusive eu, he he he), pois o amor entre duas pessoas, na medida em que se torna mais consciente e menos egocêntrico, transforma-se em um exercício que pode ser expandido na direção dos outros seres humanos. Ganha então novas cores e possibilidades.

...e desse exercício diário de amar um ao outro poderá surgir, então, o verdadeiro AMOR...

Por fim, uma historinha...
Diz um Conto Chinês que um jovem foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe sobre as dúvidas que tinha a respeito de seus sentimentos sobre sua jovem e bela esposa. O sábio escutou-o e disse-lhe apenas uma coisa: Ame-a, e logo se calou.
Disse o rapaz:
- Mas ainda tenho dúvidas.
- Ame-a, disse-lhe novamente o sábio.
E diante do desconcerto do jovem, depois de um breve silêncio, o sábio disse-lhe o seguinte:
- Meu filho, amar é uma decisão, não um sentimento. Amar é dedicação. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um exercício de jardinagem. Arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame, ou seja, aceite, valorize, respeite, dê afeto, ternura, admire e compreenda. Simplesmente: Ame!