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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Dri: mais que amiga... uma filha de coração.


Já tem 02 dias que futuco meu báu de mensagens, textos e cartas á procura do próximo post... Não encontrei nada que queira publicar agora. Algumas estão guardadas para um momento específico, outras simplesmente me disseram: ainda não estou pronta para ser exposta...
Bom, hoje recebi uma mensagem de Dri, aquela minha amiga do Rio.
"Oi queridas,
Se eu fosse voces, leria AGORA.
Amo vocês!
Assinado: Eu..a amante de vocês...hahahahah"
Li imediatamente, obvio; e era uma mensagem sobre as mães, ou melhor sobre três mães. Eu era uma delas! Fiquei comovida com a homenagem e descobri que aquele era o texto do meu próximo post.

De: Adriana Para: Carla Para: Mariana Para: sua MÃE por escolha...

"Dia das Mães pra mim é Lojas Marisa, Riachuelo, Zara, C&A e afins. Não me comove. Nunca me comoveu na verdade. Só conseguia tirar algumas lágrimas minhas quando eu tinha lá meus 10, 11 anos e lembrava que não tinha a minha mãe (desencarnou no meu parto). Hoje vejo por outro ângulo. A hora de cada um chega na "hora certinha". Enfim... não estou aqui para falar de mim (me senti uma candidata ao senado agora... ou prestes a cortar alguma fita de uma casa beneficente).

Conheço e convivo com estas três mães aí de cima... a última foto, minha fofa, minha mãe por escolha, claro convivo mais. Mas não quero falar de uma por uma. Quero ser direta: são AS mães com quem tenho o prazer e a felicidade de conviver. Cada uma com seus problemas, lutas e dores, mas sempre, eu disse SEMPRE, estão com um sorriso para mim. Até meu Quindim (sou eu! Mariana) que é de escorpião e por isso cheia das luas como eu, rsrsr. Pessoas de fibra, de luta, de sorriso em riste, de coração aberto, de maluquices interessantes... parabéns para elas três, em nome de todas as outras. Mas é delas que carrego a imagem do que é SER MÃE. Do que é cuidar, presentear com amor, fomentar caráter nos filhos. É delas que reconheço cada gesto de " Tenho que ajudar meu filhote hoje com a lição"... ou " Ela adora grão de bico".... ou ainda " Minha filha, obrigada pela cama nova... não precisava".

Não sei o que é SER mãe, por mais que eu quisesse (já não carrego mais este desejo tão vívido dentro de mim). Acho que Deus não quis, sei lá porquê...até me deu uma chance, mas perdida. Enfim, a hora é de agradecer ao Universo a convivência que tenho com estas três mães. Elas me deixam embevecida com a qualidade, o carinho, a responsabilidade e a certeza que tem em seus corações de serem mães. Parabéns a vocês três pelos filhos, pela força, pela amizade com eles, pelas lutas, pelo dia a dia e obrigada por me deixarem participar de suas vidas....

Feliz ANO das Mães!

Obs.: E se a mãe de vocês for o máximo, aproveitem-se do amor dela. A gente nunca sabe quanto tempo tem por perto..."





quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

De: Giovana Para: Bia

Depois que me casei e comecei a pensar em ter um filho, sempre desejei que fosse um menino. Não sei ao certo o porque disso. Sempre que me perguntavam eu dizia que era porque eu achava que menino dava menos trabalho, que menina era cheia de "frescurinhas" - lacinhos, fitinhas, babados etc e que eu não tinha muita paciência para isso. Talvez fosse um certo patriarcalismo, descabido, é verdade, nos tempos modernos, mas que estava aculturado na minha cabecinha de vento... (bom, com certeza era de vento, pois a justificativa era, no mínimo, imatura e míope, né?). Outro motivo que costumava apresentar era que sempre me pareceu que as meninas eram mais apegadas aos pais e os meninos à mães. Realmente não sei dizer porque eu acreditava nisso, mas o fato é que antes eu realmente preferia ter um menino do que uma menina.
Também não sei ao certo quando foi que isso mudou dentro de mim. E agora me parece ser a coisa mas sem nexo do mundo. Justo eu que tenho tanto amor, respeito e admiração pelas mulheres da minha família? Justo eu que amo tudo que diz respeito ao Sagrado Feminino? Justo eu que tenho verdadeira paixão pelo poder, complexidade e dualidade da psique feminina? Como assim não queria ter uma filha???? Decididamente já faz algum tempo que isto não é verdade para mim... Não que eu agora prefira ter filha. Na verdade agora eu prefiro ter filhos, sejam eles homens ou mulheres... (E que fique bem claro que esta é uma opção pessoal, pois acredito que filhos devam ser sempre uma opção e não uma obrigação). Como eu disse, não sei quando exatamente isso mudou, mas sei que foi depois do nascimento de João, pois foi só depois de João que eu deixei de ser "Menina Mariana" para ser "Mãe Mulher Mariana" (se vc não entendeu, leia a postagem “"Era uma vez..." de 13/12/2009” ). Foi só depois que me transformei em "Mãe Mulher Mariana" que consegui enxergar a beleza e a sabedoria das Mulheres que estavam a minha volta, que faziam e fazem parte da minha vida... e porque não a minha prória beleza e sabedoria...
Hoje tenho uma filha, uma menina e tudo que desejo é que possamos juntas dançar "A Ciranda das Mulheres Sábias", uma perspectiva do feminino que me foi apresentada por Clarissa Pinkola Estés, mas que na verdade sempre esteve ao meu alcance na minha relação com a minha mãe, ou ali mesmo do meu lado, por exemplo, na relação de minha irmã com sua filha. É nesta ciranda de relações que juntas aprederemos, eu e minha filha, uma com a outra, a sermos cada vez mais sábias e por isso mais felizes... O texto a seguir, escrito por Giovana (minha irmã mais velha), é só uma pequena amostra, de como diria Clarissa, "da mulher em processo permanente de tornar-se sábia, ao ensinar as jovens e se reenraizarem na vida da alma... "Jovens" significando qualquer uma com menos conhecimento, menos experiência do que ela própria. Esses ensinamentos se estenderão muito adiante, dando a verdadeira vida, e não permitindo o rompimento da linha matrilinear... Nós somos as herdeiras. Todas nós pertencemos a uma linhagem longuíssima de pessoas que se tornaram lanternas luminosas a balançar na escuridão, iluminado o prório caminho e os passos de outras... Suas luzes continuam a oscilar no escuridão... através de nós... podemos ter inspirações a partir das suas inspirações. Desse modo, nos também aprendemos a passar oscilantes pela escuridão. Uma mulher assim iluminada não consegue encontrar o próprio caminho, sem também lançar luz para outras."

De: Giovana Para: Bia

"Para minha mãe, Para minha filha, Para minha neta....
Queria tanto conhecer seus pensamentos, saber o que você precisa, saber dizer para você algo que realmente te ajudasse e fizesse sentido dentro do seu modo de ver a vida. Era fácil amar e cuidar de você quando era minha menininha. Agora, eu me pergunto todos os dias “será que consegui cuidar bem desta pessoa? Consegui passar pelo menos parte das coisas que sei que vai precisar ao longo da vida? Consegui fazê-la entender que pode contar comigo sempre e que eu a amo com todo meu coração?”. Não sei.
Sei que você cresceu. É quase uma mulher. Já não posso mais decidir o que vc vai fazer, o que pensa, em que acredita, o que é bom ou mau, certo ou errado. Espero ter te ajudado a decidir estas coisas. Se não fiz, me perdoe. Eu tentei e quis isto todos os dias da minha vida. Mas eu também era uma menina. A gente nunca é grande o suficiente para ensinar a ninguém. Vc vai entender isto.
Sei também que, - apesar de eu continuar em cima de você, te enchendo para arrumar o quarto, cuidar de Leo, colocando horário para vc vir para casa, dizendo onde vc vai ou não – nosso tempo como mãe e filha está acabando. E está nascendo um novo tempo, em que meu grande desejo é ser sua amiga. A melhor. Não aquela que vc conta seus segredinhos, que é a primeira a saber dos “causos”, a companheira de gargalhadas. Esta função eu quero também, mas não preciso ser a primeira.
Eu quero ser aquela para quem vc corre quando estiver triste. Quando seu coração estiver em dúvidas quanto ao melhor caminho. Quero ser a que vc sabe que, mesmo quando fizer a maior besteira do mundo, vai estar firme, mesmo com o olhar meio zangado, mas com o coração totalmente alinhado com sua dor, com suas dúvidas. Vc entende isto, filha querida? Entende que eu realmente posso ajudar porque passei por tudo que vc vai passar?
Minhas respostas nunca serão as suas. Somos pessoas diferentes, colocadas juntas por benção de Deus. Mas se estamos juntas é porque temos sim, o que ensinar e aprender uma com a outra. Por favor, não esqueça disto em seu caminho futuro, que está cada dia mais perto de você e que te leva, inevitavelmente, para longe de mim, e para perto de novos amores, novas descobertas, novas alegrias e novas dores.
Mas eu sei esperar. Esta é a função maior de uma mãe, de uma amiga de verdade. Falar apenas quando consultada, ficar de longe, vendo vc andar sozinha, quebrar a cara, rezando baixinho que venha me procurar e perguntar minha opinião para que possa tentar evitar algumas dores. Algumas. Todas seria impossível.
E, no final, suprema alegria no meu coração, ver vc olhar para mim e perceber que vc entendeu, finalmente, tudo que eu te disse ao longo de sua vida – até mesmo esta carta que talvez não faça sentido para vc. Perceber que vc sabe que eu te amei muito e que fiz sempre o melhor que pude. Exatamente como sei que vai fazer com sua filha, minha neta ( que é para demorar muito ainda, viu? Olha lá!!! – desculpe, não resisti em dar uma de mãe).

Não se esqueça de dizer a ela que é preciso se cuidar sempre, do corpo e da alma, para que a vida seja boa até o fim. Eu não fiz isto e hoje, aos 35 anos, muitas vezes me sinto uma velha. Diga que nada nesta vida é tão importante que mereça nosso desespero. Algumas lágrimas, um tempo de luto e pronto. A vida continua e deve ser assim.
Diga que nada pode ser tão bom quanto o tempo de colégio e que ela aproveite bem o dela. E chore quando terminar cada etapa e não deixe passar em branco estas despedidas e faça como a mãe dela fez – escrever cartinhas para dizer a todos o quanto os ama! Isto será um momento inesquecível. E são eles que fazem a vida valer a pena.
Diga que o amor é a coisa mais maravilhosa da vida, mas não é fácil de ser encontrado. Diga que não troque a solidão por um amor pela metade. Não vale a pena. Diga que ela vai ter que ter muita atenção e esperteza para perceber que o amor verdadeiro( haverão muitos que não são, com certeza) chegou e mais ainda para fazer com que ele dure. Mas que esta vai ser a melhor luta que terá.
Diga que ela vai chorar muitas e muitas vezes na vida, sozinha, na cama, com a certeza de que ninguém entende sua dor. E vai ser verdade, em parte. Porque se ela correr para vc, tudo vai ficar mais fácil. Diga que ela nunca esqueça que tem uma família que a ama. A família é o abrigo de anjos que Deus colocou na terra para gente. Não deixe ela perder isto.
Diga que vão haver momentos de grande alegria – o primeiro emprego, o primeiro amor, o casamento, os filhos. E que todos devem ser curtidos com entrega total, sem medo. Porque ela merece. Todos nós merecemos ser felizes. Mas, diga que a felicidade não é algo externo ao nosso coração. Não depende dos acontecimentos, mas de como estamos com a gente mesmo. E isto é lição mais difícil. Eu nunca consigo pôr em prática direito.
Diga que ela vai precisar trabalhar muito para ter o que quer – casa, carro, viagens, roupas. E vão ser grandes conquistas. Mas lembre a ela que precisamos de muito pouco para viver. Quase tudo que juntamos em uma vida é supérfluo. Passaríamos sem. Portanto, que ela nunca troque um bom dia de conversa com um amigo, uma tarde com crianças numa creche ou uma manhã na praia com os filhos, pelo trabalho. Será uma troca injusta.
Diga que Deus pode ou não existir para ela. Mas que o amor a si mesmo e aos outros nunca pode ser uma dúvida. Diga que a religião pode não ser uma opção. Mas que a busca da paz, da harmonia e da consciência tranqüila rege a vida de todos nós e é preciso seguir esse caminho.
Por fim, diga a ela que sua mãe te disse tudo isto. Que sua mãe tinha mania de querer se meter na sua vida e de achar que sabia o que era melhor para vc. Diga que muitas vezes sua mãe te chamou no quarto e começou a falar um monte de coisas que não tinham nada a ver com o que vc queria , mas que vc a amou pela intenção (espero).
Diga tudo isto a ela. E vai ter de volta aquela cara de quem está pensando “ esta minha mãe é meio maluquinha”... E eu, esteja onde estiver, vou estar vendo isto e cochichando no seu ouvido. “Não se preocupe. Ela vai entender um dia. Quando tiver uma filha...”.

Com muito, muito amor. Sua mãe. Sua amiga.
06 de dezembro de 2007.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Era uma vez...


Desde que iniciei este blog pensei sobre qual seria o momento ideal para publicar a história a seguir. Acho que ele finalmente chegou, pois além de considerar a passagem do ano um momento de renovação, hoje 27/12/2009, minha filha, Maria João, completa seu 1º aninho.
Mas antes de ir para o texto preciso dar um pequena explicação: logo após a morte de João, meu primeiro filho, e ainda por muito tempo depois, eu tinha muita dificuldade em dizer "morreu". Sempre tentei encontrar uma outra palavra ou expressão que representasse melhor o que a morte significava para mim. Não encontrei. Pelo menos não numa palavra, ou apenas numa expressão...
Tentei "partiu" ou "se foi", mas me pareceu completamente absurdo se ele está sempre aqui comigo... Perdi?! Como assim? Se eu sei exatamente onde encontrá-lo... "Voltou para casa", é verdade para muitos, mas não se encaixa perfeitamente na minha verdade. Não gosto da idéia de que a casa dele não pudesse ser aqui, fisicamente, junto a mim.
Acabei chegando a conclusão de que a melhor palavra é "morreu" mesmo, pois esta terá um significado diferente para cada pessoa ou, no meu modo de ver, para cada situação. Para mim "cada morte" terá sempre um significado diferente... Por isso não sei definir o que é a morte, mas sei, dizer, exatamente, através de uma "historinha meio prosa, meio verso" o que é a morte de João para mim.
Não acredito - e também não espero - que esta hitória que escrevi em 24/08/2009, faça sentido para mais ninguém. Mas para mim ela é a maior de todas as verdades, pois aprendi que a "VERDADE", "A GRANDE VERDADE", aquela que buscamos desesperadamente, é simplesmente aquela que consola nosso coração, que nos trás paz, que nos mantém bem conosco e com o mundo a nossa volta... Pelo menos esta é a MINHA verdade...

De: Mariana Para: João e Maria João ou talvez seja para mim mesmo...

Era uma vez uma menina. Mariana era o seu nome. A menina Mariana cresceu, mas continuou menina. Um dia, a menina Mariana conheceu um rapaz. O rapaz fez-se companheiro e conquistou seu coração. Eles se apaixonaram e desse amor nasceu João. Mas João não era um menino comum. Era na verdade um raio de sol que um dia, talvez por curiosidade, ou talvez por necessidade, tomou de um corpo e virou João.
João chegou numa manhã de sábado, e chegou deixando claro que não iria ficar aqui por muito tempo não. A Menina Mariana se assustou, ficou confusa e chorou. Ela queria que o menino João, sendo raio de sol ou não, ficasse por aqui um tempão. Mas ele era raio de sol... E é impossível segurar luz com a mão...
O menino João tinha um coração frágil, fraco, mas o Raio de sol era forte, guerreiro e encantador, seu sorriso era pura luz capaz de espantar qualquer escuridão.
E a Menina Mariana o amava e cuidava dele e era ela toda dedicação. A luz de João era tão forte que aquecia e agigantava o coração da Menina Mariana, que embora se recusasse a crescer, acabou por obter força e coragem para ver o novo mundo que o Raio de sol lhe levou a conhecer. Era um mundo mais duro, mais difícil, cheio de dor, ansiedade e confusão, mas também era um novo mundo de amor, de puro amor, em meio a tanta ilusão. Sim, foram tempos difíceis, hospital, agulhas, remédios, noites sem dormir. Medo de tudo, medo do dia seguinte, medo de não ver mais o menino João... Mas, também, foram tempos de aprendizado, fortalecimento e construção. Construção de um amor verdadeiro, incondicional, repleto de alegria; pois quando João sorria o mundo se iluminava e ficava tudo fácil então. Foi só com João que a Menina Mariana aprendeu o verdadeiro significado de palavras tão comuns e corriqueiras, como família, amigos, apoio, solidariedade e compaixão.
E a Menina Mariana finalmente cresceu sob a luz intensa do menino Raio de sol João e Mariana não era mais menina, era Mulher, era Mãe, era enfim Compreensão.
E foi chegado o dia, o dia que o menino Raio de Sol partiria deixando somente saudade em seu coração. Os médicos em vão tentaram, por horas a fio se esforçaram, mas como conter luz tão intensa, como manter dentro de um corpo tão frágil tanta sabedoria, tanto amor e tanta paixão, pois a medida que o corpo do menino João crescia sob o amor de sua mãe, a luz de Raio de sol crescia cada vez mais e sempre em maior proporção. Sua luz era agora mais forte e brilhante e tinha necessidade imensa de se expandir e brilhar em toda direção.
Antes de ir pediu um beijo a sua Mãe Mulher Mariana e neste beijo acendeu a luz que ele havia plantando naqueles três anos e meio no seu coração. A mãe mulher Mariana na hora não percebeu que a luz se acendeu, tal era seu medo, pavor e apreensão. Mas, enquanto os médicos tentavam a mãe mulher Mariana, ainda que com medo e assustada, sentindo tamanho aperto em seu coração, foi inspirada em oração; e com certeza não sozinha estava quando com bravura e compreensão entregou o Raio de sol de volta ao Pai Maior esperando que assim tivesse fim a total escuridão.
Então veio a notícia. O Raio de sol partira levando o pequeno grande João. E neste momento a luz se apagou, fez-se o pranto, a dor e novamente a incompreensão. A mãe mulher Mariana esqueceu-se da promessa e de toda decisão, novamente virou menina e embora não parecesse, pois chorava brandamente, xingou, se desesperou e desejou que a terra se abrisse e dela saísse todo mal e podridão e que engolisse a tudo e a todos, tal era o seu ódio e sua decepção. E ficou neste estado, de desespero calado, até a total exaustão. E daí por diante tudo era nuvem e confusão, vôo de volta para casa, velório, enterro, multidão...
Mas o amor da família, pais, amigos, do rapaz companheiro e dos irmãos conseguiu pouco a pouco reacender a luz plantada por João. E o Pai Criador junto com o Raio de sol João a perdoou por serem puro amor e pura compreensão, pois entendem toda dor de uma mãe quando não mais pode ver seu filho com o sentido da visão.
A mãe mulher Mariana seguia sua vida ao lado do seu rapaz companheiro. Eram felizes, é verdade, apesar de toda saudade que havia em seus corações. De vez em quando ainda choravam e claro sentiam muita falta do pequeno grande João. Mas o tempo acalma tudo e embora a saudade, tinham certeza, nunca deixaria seus corações, eles conseguiam viver a vida sem maior complicação.
Mas a mulher Mariana se esforçava para ser apenas, esposa, filha, tia, amiga, profissional, irmã. Não que não fosse mãe, claro que era, mas sentia falta de ser chamada por este nome, sentia falta de barulho de criança, choro, pedido de colo, reclamação.
Foi então que o Raio de sol João teve uma idéia e segredou ao Criador sua nova invenção: que tal mandar para mãe mulher Mariana a flor mais linda do jardim da redenção? E o Pai Criador feliz e orgulhoso da bondade de seu filho João concordou imediatamente e tomou a decisão: manda Maria olhos de céu. Ela será pura diversão...
E assim foi. A mulher mãe mariana encheu seu ventre novamente de esperança e resolução e recebeu em seus braços a flor mais linda do jardim de João...
Desde o início ela sabia que era uma menina linda que estava se formando então, pois em um sonho o Raio de sol lhe sussurrou: Mãe, é Maria esta menina, a flor mais perfumada do meu jardim de irmãos... E então esse é o nome da menina que virá. Maria de João, Maria João para o nosso coração alegrar. Nome estranho, disseram alguns, mas como poderia então mudar, se é Maria de João, não há como negar.
E então ela chegou linda e perfumada, uma flor. Seus olhos são duas contas, olhos de céu, devo falar e seu sorriso é uma festa que só Raio de sol soube engendrar.
E Mãe Mulher Mariana traz aceso em seu coração, a luz plantada pelo Raio de sol João e quando esta luz, por algum motivo, pensa em se apagar Maria João a acende com apenas um olhar.
Então é esta a história de Mariana. Menina que recebeu um Raio de sol e virou Mãe mulher.
Mãe de Maria. Mãe de João.